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Deputados que foram à terra indígena Apyterewa falam do conflito criado com a retirada de moradores

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O deputado Carlos Bordalo (PT) subiu à tribuna, durante o Grande Expediente na sessão ordinária desta quarta-feira (18), para relatar sobre o que observou na visita oficial do Poder Legislativo à terra indígena Apyterewa, localizada no município de São Félix do Xingu, que passa por um processo de desintrusão determinada pela Justiça Federal, realizada, ontem (17), por uma comitiva formada por ele e pelos deputados Aveilton Souza (PL), Torrinho Torres (Podemos) e Braz (PDT).

Desintrusão é uma ação que consiste na retirada dos não indígenas que, ocupando parte das terras homologadas, representam ameaça aos indígenas e à floresta, que já teve parte da vegetação destruída, e favorece a exploração de atividades ilegais.

O parlamentar informou que os deputados foram recebidos por mais de 1500 pessoas, escutaram 30 representantes daqueles produtores e familiares. E que, depois, ouviram os membros da Força Nacional de Intervenção.

“Saí preocupado de lá, existe um clima na área muito delicado e tenso”, relatou Bordalo. Os parlamentares ouviram relatos de que houve quatro suicídios de mulheres na Vila, carros da Guarda Nacional teriam sido apedrejados, de que houve uma tentativa de ataque com coquetel molotov, jogado contra um caminhão de combustível que abastece os carros da Força Nacional.

Para o deputado Aveilton Souza, existe a possibilidade da ocorrência de outros assassinatos devido a situação. “A qualquer momento mais pessoas podem perder a vida”, suspeita. E que depois da morte do agricultor Ozéas dos Santos Ribeiro, 37 anos, ocorrida na última segunda-feira (16), acirrou ainda mais a tensão, tendo que a Força Nacional usar armas letais para conter os ânimos, atirando para cima, deixando uma grande quantidade de cartuchos no chão, pois os moradores os acusam de ter matado o agricultor.

Segundo o parlamentar, a versão do comando da Policia Civil de São Félix do Xingu, como da Guarda Nacional, a morte do agricultor – conhecido pelos apelidos de “Barbicha” e “Doidão” – ocorreu a tiros na manhã da segunda-feira. O agricultor estava preso pela Polícia Civil local e respondia por homicídio.

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Em seu relato, o deputado informou que a Polícia Civil teria levado Ribeiro para ouvi-lo em interrogatório nas dependências de acampamento autorizado pela Guarda Nacional e por lá teria ficado por quatro horas, e que, na saída, quando se dirigiam para o carro em direção a sede do município, o agricultor que estava acompanhado de dois delegados, tentou tirar a arma do tenente coronel e na briga houve o disparo. “Não foi nada de que a Guarda Nacional o sequestrou e depois o matou”, disse, contestando a versão de que a Força Nacional de matá-lo.

Para Bordalo, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos, Defesa Do Consumidor, Defesa Dos Direitos Das Pessoas Com Deficiência, Da Mulher, Da Juventude, Da Pessoa Idosa e Minorias da Alepa, para solucionar o drama social existente na área, é necessário imprimir um componente de pacificação.

“O governo do Pará tem que ir para lá, pelo amor de Deus, não pode ficar como está, tem que ser montada com uma força integrada do governo, cuidando dos programas que já tem, não precisa inventar nada, integrando os trabalhos ainda com o governo federal e a prefeitura de São Félix”, pediu. Para ele, desta forma os resultados serão bem melhores.

Bordalo ingressou com uma moção com 13 medidas de apoio às famílias que de lá serão retiradas, pedindo a intervenção social do governo estadual e federal na desintrusão. “Para garantir definitivamente a entrega do território aos indígenas, conforme o seu direito, é necessário garantir também, por outro, a cidadania àquelas famílias que estão há muito tempo naquela área, que ali construíram uma vida e merecem ser olhadas com mais respeito e mais carinho”.

Para o deputado Torrinho Torres, o povo localizado na área da Apyterewa passa por uma expulsão e não passa por uma desintrusão. “Não é admissível que pessoas que vivem ali há mais de 40 anos, estejam passando por uma humilhação desumana. Se decisão judicial é pra ser cumprida, então que se respeite os direitos humanos”, pediu o presidente da Comissão Temporária da Crise Agropecuária.

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Na avaliação do deputado Aveilton Souza, também membro da Comissão, a situação foi precipitada devido a inércia do governo federal ao longo destes últimos anos. “Isso começou desde quando se iniciou o processo de criação da reserva indígena, fazendo com que chegássemos a esse clima de guerra que estamos hoje”, avaliou. Ele relata que o governo federal há um tempo atrás se propôs a indenizar. “Disse que indenizaria algumas famílias, retirou outras famílias de lá, mas não cumpriu com o que tinha sido prometido e essas famílias acabaram voltando e hoje estamos nesse clima terrível”, disse.

O deputado Braz considerou a visita à área como muito importante para ouvir as duas partes envolvidas na situação. “Dos moradores, que houve diversos excessos da polícia e quando fomos com a polícia de que não era bem assim”. E afirmou que o relatório a ser produzido pela Comissão será consistente pedindo ao governo federal que pelo menos venha a indenizar os moradores pelas benfeitorias que os agricultores tenham adquirido e produzido.

“Então vamos fazer um relatório bem consistente, mandar para o ministério da Justiça, para que chegue também ao governo estadual e que chegue ainda ao presidente da República pra que algumas medidas sejam tomadas. São pessoas com mais de 25 anos que vivem na área, uma vida, que já contam com uma propriedade, composta com gado, plantio de cacau, com uma estrutura de subsistência de quem mora na zona rural deve ter. Os que tem gado não tem onde botar, os outros não tem onde morar, então está bem complicado”, finalizou.

Fonte: Assembleia Legislativa do PA

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Pará bateu recorde e atingiu R$ 2 bilhões em arrecadação de ICMS em janeiro deste ano

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Estado apresenta investimentos e despesas em 2023 O Pará atingiu a arrecadação recorde  de R$ 2 bilhões em ICMS somente no mês de janeiro deste ano. Foi a maior arrecadação de ICMS da história do estado, conforme informação do secretário adjunto de Tesouro da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa), Lourival Barbalho Júnior. O secretário participou da audiência pública de prestação de contas do Governo do Estado relativa ao terceiro quadrimestre 2023, realizada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO), nesta quarta-feira (28), no auditório multiuso da Alepa.

A audiência do terceiro quadrimestre foi coordenada pelos deputados Torrinho Torres (PODEMOS), vice-presidente da CFFO; e pelo Cel. Neil (PL), que também é membro da comissão. A CFFO realiza audiência pública para que o Parlamento e a sociedade possam avaliar a gestão da administração pública estadual de cada quadrimestre do ano. O evento é balizado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO-2022).

Representante da Sefa festeja recorde de ICMS em janeiro de 2024 O representante da Sefa, Lourival Barbalho Júnior, explicou que a receita própria do estado vem tendo crescimento substancial. Hoje, “a receita própria representa dois terços da receita total”. A receita própria está em torno de 66% e a receita transferida 34% da receita total. “Isso está fazendo com que o Pará tenha um equilíbrio fiscal e proporcionando as políticas públicas do Governo do Estado”, garantiu.

O secretário estima que este ano a arrecadação cresça ainda mais, especialmente pelos resultados do ICMS, que é o imposto carro-chefe das receitas estaduais. Conforme explicou, no início do Governo de Hélder Barbalho (MDB), em 2019 essa arrecadação era de R$ 1 bilhão. E agora, no mês de janeiro de 2024, a arrecadação do período dobrou, chegando a R$ 2 bilhões. No último quadrimestre de 2023 (setembro, outubro, novembro e dezembro) estimou-se uma arrecadação do ICMS foi de R$ 18 milhões, mas o esforço tributário atingiu o valor de R$ 20 milhões no período.

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A secretária adjunta da Secretaria de Planejamento e de Administração (Seplad), Maria de Nazaré Nascimento, apresentou os investimentos com obras, programas e despesas do estado em diversas áreas, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança e transportes.

Maria de Nazaré Souza Nascimento, informou que o estado investiu 26% da Receita Líquida de Impostos e Transferências (RLIT) em 2023, estando acima do limite mínimo constitucional de 25%. As despesas com a educação foram de R$ 7,8 bilhões. Com saúde, que tem o limite constitucional de 12% da RLIT, esse percentual chegou a 14%. As despesas com a saúde foram de R$ 4,1 bilhões. A Receita Líquida de Impostos do Pará foi de R$ 29,8 bilhões.

Com relação a gastos com pessoal, no Poder Executivo, o estado chegou ao percentual de 42,24% da Receita Corrente Líquida (RCL), não atingido o percentual de limite legal de alerta, que é de 43,74% e se mantendo longe do limite máximo que é de 48,60%des. A secretária adjunta informou que neste período o governo cumpriu agenda de concursos e contemplação de planos de cargos e carreiras de órgãos estaduais. No total, os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) atingiram o percentual do gasto com pessoal de 50,03% da RCL, ficando também longe do limite máximo de 60%.

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Entre as principais realizações de 2023, Maria de Nazaré citou a entrega do Centro de Convenções Sebastião Tapajós, em Santarém; Centro de Especializado de Transtorno de Espectro Autista (CETEA), em Belém; quilômetros de rodovias asfaltadas em diversos municípios, dentre eles, Óbidos, Oriximiná, São Miguel, Marapanim e Piçarra; reconstrução de escolas em diversas regiões; inauguração do campus da UEPA no município de Parauapebas e ampliação do campus da UEPA em Castanhal; reforma e ampliação de delegacias da Polícia Civil nos municípios de Curralinho e Barcarena; comando regional e batalhão da Polícia Militar em Parauapebas; escritório regional Ideflor-Bio no município de Soure; e programas sociais “Sua Casa”, “Água Pará” e “Recomeçar”.

O deputado Cel. Neil pediu explicações sobre a capacidade de endividamento do estado mediante os empréstimos realizados pela gestão e os secretários apresentaram o relatório relativo ao assunto, destacando que pela situação fiscal atual, o estado poderia se endividar até 200% acima da receita corrente líquida. Mas, esse percentual está em 19%, devido ao controle da administração com a questão do endividamento. O deputado ressaltou a importância da audiência para o Parlamento e a sociedade tirarem dúvidas e avaliarem a administração pública estadual.

Fonte: Assembleia Legislativa do PA

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