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Alepa faz Sessão Especial em defesa da Embrapa

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A Assembleia Legislativa realizou nesta quarta-feira (11/05) a Sessão Especial “Em defesa de uma Embrapa pública, democrática e inclusiva”, reforçando a necessidade de defesa contra a possibilidade de reestruturação na companhia para abrir atividades para a iniciativa privada com redução de pessoal. A reunião foi organizada após denúncia da Seção Sindical Pará ao líder da bancada do PT na Casa, deputado Dirceu Ten Caten, sobre a redução e contingenciamento do orçamento da empresa nos últimos anos.

O problema coloca em risco o andamento de pesquisas agropecuárias em todo o Brasil e particularmente no Pará, “onde a empresa desenvolve pesquisas estratégicas para o desenvolvimento do estado, promovendo impactos positivos na economia e ajudando a alavancar o setor agropecuário”, avalia o deputado.

O deputado Dirceu Tem Caten destacou as dificuldades da empresa com cortes de orçamento e redução do quadro de funcionários. “O Pará possui o maior número de assentamentos para a reforma agrária, com mais de mil assentamentos que desenvolvem projetos de agricultura familiar e a Embrapa é fundamental no apoio a esse modelo produtivo”, avaliou o parlamentar. “Ver uma empresa pública como a Embrapa passando por um momento delicado, com cortes orçamentários reforça a necessidade da classe política se unir em defesa desse patrimônio do Brasil”, afirma Dirceu Tem Caten.

Deputado Dirceu Ten Caten

Crescimento – “Na década de 1970, o Brasil era importador líquido de alimentos, e hoje o País possui soberania alimentar, em muito graças aos resultados viabilizados pelo investimento em pesquisa e tecnologia”, lembrou o atual chefe da Embrapa Oriental, Valquimário de Paulo Lemos. “Temos muito orgulho de falar que a empresa revolucionou a agropecuária nacional e transformou o Brasil em referência em agropecuária sustentável”.

Valquimário Lemos

Para Valquimário, é preciso pensar na Embrapa para os próximos 50 anos, diante das dificuldades com a redução de recursos e do quadro funcional. “Desejamos uma empresa pública, pois a Embrapa é um órgão de Estado, responsável pela sustentabilidade na produção de alimentos e isso nos dá soberania alimentar”.

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Ele reconhece e lamenta que os recursos não são suficientes. “Os cortes são recorrentes, fragilizam nossas estruturas e a entrega de conhecimentos provenientes da pesquisa”, afirma.

Atualmente, 25% dos recursos da Embrapa vêm da iniciativa privada, por meio de Parcerias Públicas e Privadas. Mesmo assim, 65% das parcerias são com agricultura familiar, praticada em 77% dos estabelecimentos rurais do Brasil e empregadora de 67% da mão de obra do campo.

Defesa – A participação do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF) na Sessão foi para denunciar que os recursos aplicados na Embrapa estão em queda desde 2017, refletindo o descaso com a ciência e a tecnologia que assola o país atualmente. O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Marcos Vidal afirma que isso prejudica especialmente o investimento em equipamentos, laboratórios e campos experimentais, empurrando a empresa a uma necessidade crescente de captar recursos na iniciativa privada e priorizar resultados para grupos e demandas específicas em detrimento do interesse público.

Marcos Vidal

Marcos Vidal avalia que a Embrapa corre o risco de ser transformada em um grande balcão de negócios. “Não é isso que nós queremos, nós defendemos uma Embrapa pública, que pertença ao estado brasileiro, que tenha esse compromisso de dar retorno à sociedade”, afirmou.

Vidal denunciou ainda a aproximação com um modelo que privilegia os commodities e a utilização massiva de agrotóxicos, destacando que é preciso ampliar os modelos de pesquisa dentro da empresa pública justamente na direção contrária, mantendo o foco na produção sustentável e saudável, dando igual atenção para a produção da agricultura familiar que produz 70% da produção de alimentos do país.

Campanha nacional – As denúncias de desmonte da Embrapa fazem parte da campanha nacional que deu nome ao tema da sessão na Alepa: “Em Defesa da Embrapa Pública, Democrática e Inclusiva,” desenvolvida desde o ano passado pelo SINPAF, que tem articulado e dialogado com parlamentares de todas as instâncias legislativas em busca um orçamento digno e compatível com as atribuições da empresa.

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A campanha tomou ainda mais força neste ano, quando a gestão da empresa anunciou uma reestruturação organizacional, que o Sindicato considera nociva e prejudicial ao caráter público e à missão da empresa.

Histórico – A pesquisadora Tatiana de Abreu Sá, que atua na Embrapa desde a sua criação, fez um depoimento sobre a evolução da empresa. “Criada há 49 anos para garantir o desenvolvimento e a modernização permanente da agropecuária brasileira e a garantia da soberania alimentar do país, a Embrapa está presente direta ou indiretamente em praticamente todo lugar do Brasil onde se faz agricultura ou pecuária, seja em grande, média ou pequena escala”, destacou Tatiana, que já chefiou a Embrapa Oriental, no Pará.

Tatiana Abreu Sá

Ela lembrou que a Embrapa investe tanto nas pesquisas voltadas ao agronegócio, ajudando o Brasil a se tornar um dos maiores exportadores de commodities, como também se dedica ao fortalecimento de ações voltadas para a produção de alimentos para a população, praticada majoritariamente pela agricultura familiar e camponesa, setor responsável por 70% da comida que chega às mesas dos brasileiros.

A deputada Marinor Brito participou da Sessão Especial de forma remota, dando seu depoimento online em defesa da Embrapa. Atualmente a empresa conta com mais de oito mil pessoas em seus quadros em todo o Brasil, entre técnicos e assistentes agrícolas, analistas e pesquisadores que atuam nas mais variadas frentes.

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Pará bateu recorde e atingiu R$ 2 bilhões em arrecadação de ICMS em janeiro deste ano

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Estado apresenta investimentos e despesas em 2023 O Pará atingiu a arrecadação recorde  de R$ 2 bilhões em ICMS somente no mês de janeiro deste ano. Foi a maior arrecadação de ICMS da história do estado, conforme informação do secretário adjunto de Tesouro da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa), Lourival Barbalho Júnior. O secretário participou da audiência pública de prestação de contas do Governo do Estado relativa ao terceiro quadrimestre 2023, realizada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO), nesta quarta-feira (28), no auditório multiuso da Alepa.

A audiência do terceiro quadrimestre foi coordenada pelos deputados Torrinho Torres (PODEMOS), vice-presidente da CFFO; e pelo Cel. Neil (PL), que também é membro da comissão. A CFFO realiza audiência pública para que o Parlamento e a sociedade possam avaliar a gestão da administração pública estadual de cada quadrimestre do ano. O evento é balizado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO-2022).

Representante da Sefa festeja recorde de ICMS em janeiro de 2024 O representante da Sefa, Lourival Barbalho Júnior, explicou que a receita própria do estado vem tendo crescimento substancial. Hoje, “a receita própria representa dois terços da receita total”. A receita própria está em torno de 66% e a receita transferida 34% da receita total. “Isso está fazendo com que o Pará tenha um equilíbrio fiscal e proporcionando as políticas públicas do Governo do Estado”, garantiu.

O secretário estima que este ano a arrecadação cresça ainda mais, especialmente pelos resultados do ICMS, que é o imposto carro-chefe das receitas estaduais. Conforme explicou, no início do Governo de Hélder Barbalho (MDB), em 2019 essa arrecadação era de R$ 1 bilhão. E agora, no mês de janeiro de 2024, a arrecadação do período dobrou, chegando a R$ 2 bilhões. No último quadrimestre de 2023 (setembro, outubro, novembro e dezembro) estimou-se uma arrecadação do ICMS foi de R$ 18 milhões, mas o esforço tributário atingiu o valor de R$ 20 milhões no período.

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A secretária adjunta da Secretaria de Planejamento e de Administração (Seplad), Maria de Nazaré Nascimento, apresentou os investimentos com obras, programas e despesas do estado em diversas áreas, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança e transportes.

Maria de Nazaré Souza Nascimento, informou que o estado investiu 26% da Receita Líquida de Impostos e Transferências (RLIT) em 2023, estando acima do limite mínimo constitucional de 25%. As despesas com a educação foram de R$ 7,8 bilhões. Com saúde, que tem o limite constitucional de 12% da RLIT, esse percentual chegou a 14%. As despesas com a saúde foram de R$ 4,1 bilhões. A Receita Líquida de Impostos do Pará foi de R$ 29,8 bilhões.

Com relação a gastos com pessoal, no Poder Executivo, o estado chegou ao percentual de 42,24% da Receita Corrente Líquida (RCL), não atingido o percentual de limite legal de alerta, que é de 43,74% e se mantendo longe do limite máximo que é de 48,60%des. A secretária adjunta informou que neste período o governo cumpriu agenda de concursos e contemplação de planos de cargos e carreiras de órgãos estaduais. No total, os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) atingiram o percentual do gasto com pessoal de 50,03% da RCL, ficando também longe do limite máximo de 60%.

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Entre as principais realizações de 2023, Maria de Nazaré citou a entrega do Centro de Convenções Sebastião Tapajós, em Santarém; Centro de Especializado de Transtorno de Espectro Autista (CETEA), em Belém; quilômetros de rodovias asfaltadas em diversos municípios, dentre eles, Óbidos, Oriximiná, São Miguel, Marapanim e Piçarra; reconstrução de escolas em diversas regiões; inauguração do campus da UEPA no município de Parauapebas e ampliação do campus da UEPA em Castanhal; reforma e ampliação de delegacias da Polícia Civil nos municípios de Curralinho e Barcarena; comando regional e batalhão da Polícia Militar em Parauapebas; escritório regional Ideflor-Bio no município de Soure; e programas sociais “Sua Casa”, “Água Pará” e “Recomeçar”.

O deputado Cel. Neil pediu explicações sobre a capacidade de endividamento do estado mediante os empréstimos realizados pela gestão e os secretários apresentaram o relatório relativo ao assunto, destacando que pela situação fiscal atual, o estado poderia se endividar até 200% acima da receita corrente líquida. Mas, esse percentual está em 19%, devido ao controle da administração com a questão do endividamento. O deputado ressaltou a importância da audiência para o Parlamento e a sociedade tirarem dúvidas e avaliarem a administração pública estadual.

Fonte: Assembleia Legislativa do PA

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