BELÉM

POLITÍCA NACIONAL

Relatório de subcomissão com recomendações sobre ativos ambientais é aprovado

Published

on

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) aprovou nesta quarta-feira (11) o relatório final da Subcomissão Temporária para discutir e analisar o Mercado de Ativos Ambientais Brasileiros.

O texto foi apresentado pelo presidente da subcomissão, senador Jorge Kajuru (PSB-GO). O documento sugere a adoção de medidas pelo Poder Executivo, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Kajuru destacou que o relatório é resultado de debates com especialistas de diversos setores, do Brasil e do exterior, promovidos em três audiências públicas — que trataram dos seguintes temas: proteção do clima e ativos ambientais; ativos ambientais voltados à proteção da vegetação nativa; e agropecuária brasileira e ativos ambientais.

— Apresento aqui algumas propostas de indicação com o objetivo de contribuir para o aprimoramento da regulamentação e da implementação de políticas públicas para o desenvolvimento do mercado de ativos ambientais no Brasil — afirmou.

As sugestões feitas pela subcomissão dizem respeito:

  • à regulamentação do PL 182/2024, projeto de lei que trata do mercado de carbono no Brasil e aguarda sanção presidencial;
  • à regulamentação da Lei 14.119, de 2021, que institui a Política Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA);
  • a políticas públicas de incentivo à agricultura de baixo carbono; e
  • a políticas públicas de controle e prevenção do desmatamento e de restauração da vegetação nativa.

Entre as medidas sugeridas estão, por exemplo, o reconhecimento dos benefícios coletivos da preservação ambiental e a promoção de regulamentações que desestimulem o desmatamento e incentivem a conservação.

Leia Também:  Reforma tributária: CCJ deve votar regulamentação nesta quarta-feira

Recomendações

O relatório também recomenda ao Poder Executivo que a regulamentação do mercado de carbono deveria garantir segurança jurídica, transparência e prevenção de fraudes, além de fortalecer políticas públicas e promover a remuneração de comunidades pela conservação ambiental.

Para a regulamentação da lei que instituiu a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (Lei 14.119, de 2021), o texto recomenda que sejam previstos instrumentos para adaptação climática. Outra recomendação é priorizar modelos regionais sustentáveis e viabilizar a remuneração de produtores rurais pela conservação e recuperação da vegetação nativa.

As políticas públicas de incentivo à agricultura de baixo carbono, de acordo com o texto, devem aprimorar o crédito rural incentivando práticas sustentáveis e oferecendo benefícios para a preservação da vegetação nativa, além de permitir o uso dessas áreas como garantia para a obtenção de crédito.

Reservas ambientais

O relatório também indica que o governo deve resolver gargalos no mercado de cotas de reservas ambientais. Elas são títulos que podem ser criados por proprietários com excesso de reserva legal e podem ser negociados com outros proprietários que tenham menos reserva legal do que o exigido, como forma de compensação.

Entre os problemas apontados pelo relatório estão a falta do módulo de Cota de Reserva Ambiental no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a superoferta de cotas com demanda reduzida, o que compromete a eficácia.

Leia Também:  Girão critica proposta para emendas parlamentares e atuação do STF

A indicação também cita as ações contra o desmatamento e a restauração ambiental. De acordo com o relatório, as políticas públicas devem focar na redução do desmatamento e na restauração de áreas degradadas. Também devem fortalecer o sistema de autorizações de desmatamento, apoiar pesquisas sobre a proteção do Cerrado e outros biomas e direcionar recursos internacionais para a preservação de vegetação nativa, com foco na restauração e no ganho de escala em todos os biomas.

Subcomissão

Instalada em março deste ano, essa subcomissão foi criada a pedido de Jorge Kajuru para discutir e propor medidas regulatórias, incentivos econômicos e boas práticas para impulsionar o mercado de ativos ambientais. As medidas também devem promover a gestão sustentável dos recursos naturais, a preservação ambiental, a conservação da biodiversidade e a proteção do regime climático.

Além de Kajuru, a subcomissão tinha como membros titulares os senadores Sérgio Petecão (PSD-AC), Plínio Valério (PSDB-AM), Carlos Viana (Podemos-MG) e Jorge Seif (PL-SC). O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), membro suplente do grupo, presidiu a reunião desta quarta-feira em que foi votado o relatório.

Ao longo de oito meses, a subcomissão promoveu três audiências públicas para colher subsídios para o relatório. Os temas foram os seguintes: proteção do clima e ativos ambientais; ativos ambientais voltados à proteção da vegetação nativa; e agropecuária brasileira e ativos ambientais.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

POLITÍCA NACIONAL

Paim critica suspensão pelo STF de processos sobre ‘pejotização’

Published

on

O senador Paulo Paim (PT-RS) criticou, em pronunciamento no Plenário nesta segunda-feira (5), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu os processos que discutem a legalidade da “pejotização” — prática em que empresas contratam trabalhadores como pessoas jurídicas (PJ) para evitar o vínculo formal com carteira assinada.

— O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) destacou que essa suspensão “fere o princípio constitucional da garantia de acesso ao Poder Judiciário, negando a prestação jurisdicional por tribunais mais habilitados a reconhecer a pejotização ou as terceirizações ilícitas”. Essa tentativa de enfraquecer a Justiça do Trabalho também silencia os trabalhadores e desconsidera as vozes das ruas, daqueles que estão com as mãos calejadas — afirmou.

Segundo o parlamentar, a pejotização fragiliza os direitos trabalhistas porque o modelo de contratação disfarça vínculos formais de emprego, mantendo características como jornada definida, subordinação e salário fixo, mas sem garantir os direitos previstos na CLT, como férias, 13º salário, FGTS e seguro-desemprego.

Leia Também:  Girão critica 'ativismo político-ideológico' do STF e defende impeachment de Moraes

— Essa prática é frequentemente utilizada para reduzir encargos trabalhistas e tributários, mas configura fraude quando encobre uma relação de emprego tradicional. Quando essa fraude é efetivamente comprovada, os responsáveis podem ser condenados ao pagamento dos valores devidos e não pagos pertinentes à relação trabalhista — disse.

Paim também citou dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), indicando que a pejotização já atinge cerca de 18 milhões de trabalhadores. De acordo com o parlamentar, desde a reforma trabalhista, esse modelo de contratação causou perdas de aproximadamente R$ 89 bilhões na arrecadação, colocando em risco a manutenção da Previdência Social. Ele anunciou a realização de uma audiência pública na próxima quinta-feira (9), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), para debater o tema com entidades sindicais, representantes do governo, do Judiciário e do Ministério Público.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

COMENTE ABAIXO:
Continue Reading

MAIS LIDAS DA SEMANA