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POLITÍCA NACIONAL

CMA aprova projeto que exige avaliação anual da política climática nacional

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A Comissão de Meio Ambiente (CMA) aprovou nesta quarta-feira (30), em decisão final, o projeto que exige a avaliação anual do Plano Nacional sobre Mudança do Clima (PL 4816/2019). Também será obrigatória a avaliação dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamentos dos biomas brasileiros. O projeto seguirá diretamente para a Câmara dos Deputados, a menos que haja recurso para votação em Plenário.

A proposta é do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e recebeu parecer favorável do senador Otto Alencar (PSD-BA). Tanto o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que identifica e coordena ações de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, quanto os Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento dos Biomas são instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) (Lei 12.187, de 2009).

Os relatórios das avaliações anuais serão publicados na internet e enviados ao Congresso até o dia 15 de maio de cada ano. Eles deverão conter informações sobre os resultados obtidos por cada uma das políticas, medidas corretivas para recuperar metas que estejam abaixo do esperado e execução financeira das atividades. Além disso, os planos deverão ser atualizados no mínimo a cada quatro anos.

Alessandro é o atual relator da Comissão Mista de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional (CMMC). Ele defendeu a proposta ao explicar que não havia previsão legal para atualização dos instrumentos da PNMC.

Por sua vez, Otto afirmou que as alterações propostas darão maior capacidade ao Legislativo para fiscalizar a implementação dos planos e aumentar a transparência pública sobre a execução e os resultados alcançados.

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— O Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal foi adotado em 2004. Na época, o desmatamento na região estava atingindo valores recordes. Após a adoção das medidas previstas no plano, o desmatamento foi consideravelmente reduzido, em mais de 80%. A partir de 2019, quando o governo federal deixou de atualizar e implementar o plano de ação, o desmatamento recrudesceu de maneira considerável e preocupante, com aumento de 65% no ano de 2021 — exemplificou Otto.

Durante a votação na CMA, o senador Jayme Campos (União-MT) elogiou a proposta, mas opinou que é fundamental haver recursos para o cumprimento efetivo das políticas públicas previstas no plano.

— Precisamos de muitos recursos para esses planos. Temos, por exemplo, os valores do Fundo do Clima, são R$ 10 bilhões no BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] que praticamente não estão sendo usados. Como é possível realizar o combate ao desmatamento, incêndios e desastres naturais sem recursos? Infelizmente o que temos disponível, hoje, está muito aquém das nossas necessidades — lamentou.

A presidente da comissão, senadora Leila Barros (PDT-DF), reforçou que é necessário ter mais transparência nas questões ligadas ao desmatamento dos biomas, “principalmente no controle e na fiscalização”. Para ela, os debates em torno do meio ambiente e agronegócio têm sido “contaminados” por interesses políticos.

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— Os dois são setores fundamentais para o Brasil. Não existe país próspero sem um meio ambiente protegido, mas com o entendimento econômico de que o desenvolvimento sustentável é fundamental para as próximas gerações. Queimadas, secas e enchentes só aumentam a pobreza e aumentam a desigualdade. Quem sofre com isso são os mais vulneráveis. Nossa responsabilidade aqui não é só defender setores específicos, mas sim o país como um todo — enfatizou.

A senadora aproveitou a ocasião para reforçar a importância da pauta ambiental. De acordo com ela, falta mais comprometimento e atenção com o tema dentro do Senado.

— Queremos o mesmo objetivo, mas ficamos o tempo todo um atacando o outro e não trazemos solução. Nenhum governo tratou com responsabilidade o que enfrentamos agora, nunca vivenciamos isso na nossa história. Nas enchentes no Rio Grande do Sul só estavam lá os senadores gaúchos e outros dois ou três de fora. Eu era uma delas que fui lá ver a agonia daquele povo. A realidade do que tratamos aqui é muito séria, não é só defender setores. Espero que quando tivermos a oportunidade de fazermos nosso trabalho, a gente vá lá e faça — desabafou a presidente da CMA.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLITÍCA NACIONAL

Paim critica suspensão pelo STF de processos sobre ‘pejotização’

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O senador Paulo Paim (PT-RS) criticou, em pronunciamento no Plenário nesta segunda-feira (5), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu os processos que discutem a legalidade da “pejotização” — prática em que empresas contratam trabalhadores como pessoas jurídicas (PJ) para evitar o vínculo formal com carteira assinada.

— O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) destacou que essa suspensão “fere o princípio constitucional da garantia de acesso ao Poder Judiciário, negando a prestação jurisdicional por tribunais mais habilitados a reconhecer a pejotização ou as terceirizações ilícitas”. Essa tentativa de enfraquecer a Justiça do Trabalho também silencia os trabalhadores e desconsidera as vozes das ruas, daqueles que estão com as mãos calejadas — afirmou.

Segundo o parlamentar, a pejotização fragiliza os direitos trabalhistas porque o modelo de contratação disfarça vínculos formais de emprego, mantendo características como jornada definida, subordinação e salário fixo, mas sem garantir os direitos previstos na CLT, como férias, 13º salário, FGTS e seguro-desemprego.

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— Essa prática é frequentemente utilizada para reduzir encargos trabalhistas e tributários, mas configura fraude quando encobre uma relação de emprego tradicional. Quando essa fraude é efetivamente comprovada, os responsáveis podem ser condenados ao pagamento dos valores devidos e não pagos pertinentes à relação trabalhista — disse.

Paim também citou dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), indicando que a pejotização já atinge cerca de 18 milhões de trabalhadores. De acordo com o parlamentar, desde a reforma trabalhista, esse modelo de contratação causou perdas de aproximadamente R$ 89 bilhões na arrecadação, colocando em risco a manutenção da Previdência Social. Ele anunciou a realização de uma audiência pública na próxima quinta-feira (9), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), para debater o tema com entidades sindicais, representantes do governo, do Judiciário e do Ministério Público.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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