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CPI da Vale reúne com prefeitos para criar Consórcio entre municípios afetados pela mineração

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga a atuação da Vale no Pará, promoveu uma reunião nesta terça-feira (17.05) com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e representantes de Associações Comerciais dos municípios mineradores e afetados pela mineração para ouvir as problemáticas e informar a necessidade de se implantar o Consórcio Intermunicipal do Estado do Pará (CIM-PA) com as prefeituras de Bom Jesus do Tocantins, Canãa dos Carajás, Curionópolis, Marabá, Parauapebas e São Félix do Xingu.

Esses são os principais municípios paraenses mineradores e impactados diretamente pela mineração e pela influência da Estrada de Ferro Carajás – EFC, que ao longo dos 892 Km de extensão, vem causando transtornos com poluição sonora e ambiental, rachaduras de residências, ausência de sinalização e problema com prostituição e drogas. A ferrovia é responsável pelo transporte de minérios extraídos pelo sistema Carajás até ao Porto de Itaqui, no Maranhão.

A CPI busca apurar questões como a concessão de incentivos fiscais à empresa, o suposto descumprimento de condicionantes ambientais pela Vale, a ausência de segurança em barragens, se houve repasses incorretos de recursos aos municípios e o cadastro geral dos processos minerários existentes na região.

Para o presidente da CPI, deputado Eraldo Pimenta, o consórcio vai contemplar as cidades de forma significativa.

Deputado Eraldo Pimenta, presidente da CPI

“Essa realidade impõe a necessidade de se implantar o Consórcio Intermunicipal no nosso Estado em conjunto com o CIM do Estado do Maranhão. Para isso, visitamos e nos reunimos com a diretora do consórcio do estado vizinho. Essa reunião de hoje foi para mostrar aos prefeitos o trabalho sério que a CPI está realizando”, afirmou.

“A Vale tem seu peso na balança comercial do país e corresponde a 75% de suas atividades, sendo que 65 % de sua representatividade financeira é aqui no Pará. Então nós temos essa condição de sediarmos uma empresa desse porte e a certeza de que a CPI e o consórcio vão trazer benefícios para o nosso Estado, com recursos para viabilizar projetos importantes”, completou.

O Estado do Pará, representa o maior polo minerário do país e possui a maior província mineral do mundo, tanto em qualidade e quantidade de alto teor. No Pará, a produção mineral corresponde basicamente por 60% do total do faturamento e 75% de seus resultados.

Neste contexto, os investimentos destinados pela empresa não contemplam os municípios e ao Estado na mesma proporção. E a CPI aponta propostas para ampliar a discussão e aprimoramento de políticas e sistemas envolvendo a Vale e os municípios.

O vice-presidente da CPI, deputado Carlos Bordalo, ressaltou a importância dos trabalhos da comissão para buscar alternativas para o desenvolvimento.

Deputado Carlos Bordalo

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“Todos nós estamos imbuídos em fazer o melhor. A reunião com prefeitos e representantes das associações comerciais dos municípios mineradores e afetados pela mineração, acrescentou muitos elementos para o nosso trabalho. É muito importante fazer um ajuste qualitativo no modelo minerário paraense e estamos dando passos muito importantes”, destacou.

Há um esforço concentrado entre os parlamentares que compõem a CPI e a Vale, Agência Nacional de Mineração (AMN), Estado, Prefeituras Municipais e investidores locais para que seja adotada nova dinâmica de desenvolvimento sustentável, utilizando os recursos minerais disponíveis para exploração adequada em toda a região.

Carajás

O Complexo de Carajás abriga a maior mina de ferro a céu aberto do mundo, contribuindo para o sucesso da empresa no mercado nacional e internacional, com produção de 190 milhões de toneladas no ano de 2020, segundo dados da empresa.

De acordo com vice-prefeito de Parauapebas, João do Verdurão, um dos problemas é a ausência de uma legislação que venha regulamentar políticas importantes.

João do Verdurão

“A gente precisa primeiro, ver essa questão da regulamentação de leis no Estado. Se a gente não tiver leis específicas, a gente não avança, são elas que vão nos mostrar o caminho que nós precisamos regulamentar. E o consórcio é uma alternativa para nos ajudar nesse sentido. O grande papel da CPI é ver as problemáticas que nós temos em relação à mineração e mostrar isso para a sociedade”, comentou.

Projeto Salobo

Está localizado em Marabá, sudeste paraense, inserido dentro da Floresta Nacional (Flona) cerca de 90 Km de Parauapebas é responsável pela operação de cobre. Contudo, o empreendimento tem provocado graves problemas sociais e ambientais, com vários processos na justiça. Além disso, o município é penalizado com ausência de diálogo e investimentos por parte da empresa Vale.

O vice-prefeito de Marabá, Luciano Dias, critica o descaso por parte da Vale e acredita que o consórcio vai trazer benefícios.

Luciano Dias

“Há décadas somos afetados pela mineração e estamos dentro de uma área que é o maior polo minerário do planeta, mas não vemos isso traduzido em riquezas e renda para a população. A partir desse consórcio, desse novo olhar, nós temos que discutir esses assuntos para que Marabá e os municípios possam de fato ser beneficiados, não só com ações efetivas da Vale, mas que todos os recursos extraídos retornem aos municípios”, relatou.

O Salobo envolve a operação de cobre integrada de lavra a céu aberto, beneficiamento, transporte e embarque. O escoamento da produção é feito por rodovia até ao Terminal Ferroviário da Vale, em Parauapebas (PA), por onde é transportada pela Estrada de Ferro Carajás até o terminal marítimo de Ponta da Madeira (MA).

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O vereador Ilker Moraes, presidente da CPI do Salobo em Marabá, reconheceu a importância da CPI da Vale para reparar as injustiças com os municípios impactados pela mineração. O parlamentar denunciou perigos na região da barragem, próxima ao projeto.

Ilker Moraes

“De fato Marabá está preocupada com os impactos gerados pelo projeto Salobo. Há um risco muito grande de ter uma tragédia e a gente está preocupado com isso, porque todos os trabalhadores da barragem, todas as nascentes e a região que depende da flora e da fauna, podem ser impactada por algum evento que ocorra naquela região”, disse.

Outro problema envolvendo o descaso da mineradora com o município de Marabá é a ausência de receitas sobre cobre produzido em Canaã, embora seja afetado pelo transporte em seu território, não existe compensação adequada para repor os prejuízos.

Da mesma forma, acontece com o município de Bom Jesus do Tocantins, sudeste paraense. Pela região passa a ferrovia de Carajás, entretanto, a prefeitura não recebe os investimentos aos quais têm direito.

Na opinião do prefeito de Bom Jesus do Tocantins, Joaozinho Rocha, a CPI vem resgatar uma dívida histórica. Ele também ressalta os objetivos do consórcio para os municípios.

Joãozinho Rocha

“Pela primeira vez na história do Pará que a gente vê os deputados interessados em questionar e dialogar com os municípios sobre a Vale. É uma das maiores empresas do mundo que está aqui usufruindo das riquezas minerais do Estado, e muitas falhas poderão ser sanadas com diálogo e com o consórcio”, enfatizou.

“A questão do consórcio é mais do que importante. Participo do consórcio do Maranhão e sei da importância, por se tratar da mesma finalidade, que através da ferrovia os recursos passam, mas sem muitos investimentos e será muito importante para os municípios mineradores ou afetados pela mineração”, concluiu.

Segundo o relator da comissão, deputado Igor Normando, a CPI vem trabalhando para corrigir os erros e garantir uma resposta satisfatória à sociedade.

Deputado Igor Normando

“Nós estamos trabalhando para entregarmos uma posição para a sociedade, principalmente para os municípios afetados. A Vale precisa garantir uma contrapartida aos municípios, ao Estado e à sociedade. É muito importante ouvir os gestores desses municípios e também criar uma instituição para atender as necessidades”, finalizou.

Durante a reunião, os gestores municipais receberam uma minuta do projeto necessário à instituição do Consórcio Intermunicipal do Estado do Pará (CIM-PA).

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Pará bateu recorde e atingiu R$ 2 bilhões em arrecadação de ICMS em janeiro deste ano

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Estado apresenta investimentos e despesas em 2023 O Pará atingiu a arrecadação recorde  de R$ 2 bilhões em ICMS somente no mês de janeiro deste ano. Foi a maior arrecadação de ICMS da história do estado, conforme informação do secretário adjunto de Tesouro da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa), Lourival Barbalho Júnior. O secretário participou da audiência pública de prestação de contas do Governo do Estado relativa ao terceiro quadrimestre 2023, realizada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO), nesta quarta-feira (28), no auditório multiuso da Alepa.

A audiência do terceiro quadrimestre foi coordenada pelos deputados Torrinho Torres (PODEMOS), vice-presidente da CFFO; e pelo Cel. Neil (PL), que também é membro da comissão. A CFFO realiza audiência pública para que o Parlamento e a sociedade possam avaliar a gestão da administração pública estadual de cada quadrimestre do ano. O evento é balizado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO-2022).

Representante da Sefa festeja recorde de ICMS em janeiro de 2024 O representante da Sefa, Lourival Barbalho Júnior, explicou que a receita própria do estado vem tendo crescimento substancial. Hoje, “a receita própria representa dois terços da receita total”. A receita própria está em torno de 66% e a receita transferida 34% da receita total. “Isso está fazendo com que o Pará tenha um equilíbrio fiscal e proporcionando as políticas públicas do Governo do Estado”, garantiu.

O secretário estima que este ano a arrecadação cresça ainda mais, especialmente pelos resultados do ICMS, que é o imposto carro-chefe das receitas estaduais. Conforme explicou, no início do Governo de Hélder Barbalho (MDB), em 2019 essa arrecadação era de R$ 1 bilhão. E agora, no mês de janeiro de 2024, a arrecadação do período dobrou, chegando a R$ 2 bilhões. No último quadrimestre de 2023 (setembro, outubro, novembro e dezembro) estimou-se uma arrecadação do ICMS foi de R$ 18 milhões, mas o esforço tributário atingiu o valor de R$ 20 milhões no período.

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A secretária adjunta da Secretaria de Planejamento e de Administração (Seplad), Maria de Nazaré Nascimento, apresentou os investimentos com obras, programas e despesas do estado em diversas áreas, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança e transportes.

Maria de Nazaré Souza Nascimento, informou que o estado investiu 26% da Receita Líquida de Impostos e Transferências (RLIT) em 2023, estando acima do limite mínimo constitucional de 25%. As despesas com a educação foram de R$ 7,8 bilhões. Com saúde, que tem o limite constitucional de 12% da RLIT, esse percentual chegou a 14%. As despesas com a saúde foram de R$ 4,1 bilhões. A Receita Líquida de Impostos do Pará foi de R$ 29,8 bilhões.

Com relação a gastos com pessoal, no Poder Executivo, o estado chegou ao percentual de 42,24% da Receita Corrente Líquida (RCL), não atingido o percentual de limite legal de alerta, que é de 43,74% e se mantendo longe do limite máximo que é de 48,60%des. A secretária adjunta informou que neste período o governo cumpriu agenda de concursos e contemplação de planos de cargos e carreiras de órgãos estaduais. No total, os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) atingiram o percentual do gasto com pessoal de 50,03% da RCL, ficando também longe do limite máximo de 60%.

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Entre as principais realizações de 2023, Maria de Nazaré citou a entrega do Centro de Convenções Sebastião Tapajós, em Santarém; Centro de Especializado de Transtorno de Espectro Autista (CETEA), em Belém; quilômetros de rodovias asfaltadas em diversos municípios, dentre eles, Óbidos, Oriximiná, São Miguel, Marapanim e Piçarra; reconstrução de escolas em diversas regiões; inauguração do campus da UEPA no município de Parauapebas e ampliação do campus da UEPA em Castanhal; reforma e ampliação de delegacias da Polícia Civil nos municípios de Curralinho e Barcarena; comando regional e batalhão da Polícia Militar em Parauapebas; escritório regional Ideflor-Bio no município de Soure; e programas sociais “Sua Casa”, “Água Pará” e “Recomeçar”.

O deputado Cel. Neil pediu explicações sobre a capacidade de endividamento do estado mediante os empréstimos realizados pela gestão e os secretários apresentaram o relatório relativo ao assunto, destacando que pela situação fiscal atual, o estado poderia se endividar até 200% acima da receita corrente líquida. Mas, esse percentual está em 19%, devido ao controle da administração com a questão do endividamento. O deputado ressaltou a importância da audiência para o Parlamento e a sociedade tirarem dúvidas e avaliarem a administração pública estadual.

Fonte: Assembleia Legislativa do PA

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