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Comissão de Transporte Fluvial ouve primeiros depoimentos sobre sinistros como o “Dona Lourdes II”

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Na primeira reunião de trabalho da Comissão de Estudos do Transporte Fluvial do Estado, realizada nesta quinta, 1° de dezembro, na Sala VIP da Assembleia Legislativa do Pará, foi ouvido em oitiva coletiva, o delegado de Polícia Civil Luiz Carlos de Menezes Barros Júnior, diretor da Delegacia de Polícia Fluvial e responsável pelo inquérito que apurou o naufrágio da Lancha Dona Lourdes II; o delegado Artur Braga, diretor do Batalhão Fluvial da SEGUP; o Major Anderson Teixeira de Almeida, da Companhia Independente de Polícia Fluvial; e ainda, Raimunda Gomes Oliveira, presidente da Colônia de Pescadores de Icoaraci.


A reunião foi instalada pelo deputado Orlando Lobato, presidente da Comissão, e as perguntas conduzidas pelo deputado Carlos Bordalo, relator da comissão, a defensora pública Maria do Carmo Maia e a procuradora Lígia Valente, do Ministério Público.

O sinistro marítimo investigado ocorreu em 8 de setembro passado, quando a embarcação que partiu de um porto clandestino em Cachoeira do Arari, parando ilegalmente no Porto do Camará para embarcar e desembarcar cerca de 30 a 40 passageiros, e que teria por destino final a cidade de Belém, e que redundou na morte de 22 pessoas e o resgate de 66 sobreviventes. Os resgates foram feitos principalmente por pequenas embarcações de pescadores e de quem faz transporte de pessoas para a ilha do Cotijuba e proximidades. Camará é o porto no Arquipélago do Marajó mais perto de Joanes e Salvaterra.

Salvem meu neto. Salvem minha vó
Em sua abordagem, a defensora pública Maria do Carmo Maia relatou as providencias tomadas e a assistência que vem sendo prestada às famílias enlutadas e aos sobreviventes, abordando a necessidade de maior apoio emocional a essas pessoas. “Tem muita gente traumatizada que não consegue sequer entrar em um barco”, disse. E sensibilizou a todos quando disse que ouviu de uma senhora, que seu sobrinho de seis anos diz lembrar de tudo que ocorreu. “De quando sua vó colocou o colete nele, quando ela colocou a mochilinha e pedia para que salvasse ele, o neto dela. E ele falava e pedia salvem a minha vô. Ele conseguiu nadar e ela não”.

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Promotora Maria do Carmo Maia
O comandante da embarcação, Marcus de Souza Oliveira, foi indiciado no inquérito da Policia Civil por homicídio doloso, pelo crime de risco à navegação, com resultado naufrágio e morte. A partir dos 50 depoimentos colhidos, o comandante foi o único denunciado. “Ao chegar na frente de Cotijuba que é uma área de “Pedral”, o barco teria que ter a bordo um prático e o comandante, para economizar, resolveu viajar sozinho”, relatou o delegado responsável pelo inquérito.

Delegado Luiz Carlos Menezes

A embarcação bateu em uma pedra levando a saída ou quebra do eixo do motor. Para não informar o que teria acontecido aos passageiros que reclamavam informações, disse até que nem era para vestir o colete salva vidas, que estaria tudo sob controle e até que estaria vindo uma lancha para prestar auxílio.

Mas, na verdade, o comandante estaria ligando para a proprietária da lancha, sua mãe, pedindo ajuda, já que não sabia o que fazer. Neste momento uma marola teria atingido o barco de lado, levando as pessoas para mesmo lado e ai lancha veio a naufragar. “Quando naufragou, o comandante Marcos nem se preocupou em ajudar as pessoas”. Em depoimento do principal pescador que resgatou a maioria das pessoas disse que Marcos estava ansioso para ser resgatado logo, inclusive antes dos demais passageiros, o que não foi atendido. E quando chegou à Praia, empreendeu fuga.

O tenente coronel Brito, da Polícia Militar, informou aos membros da Comissão sobre os investimentos que o governo do Pará fez no decorrer desses quase quatro anos de gestão, de um total de mais de 20 milhões de reais, com aquisição de 18 novas embarcações, sendo três blindados, cerca de 50 novos motores, recursos para manutenção e investimento para a instalação, da já inaugurada base fluvial de Breves. Outras duas bases estão previstas para serem inauguradas, no Rio Capim e em Óbidos. Já o delegado Artur Braga apresentou as estratégias que são adotadas para a garantia do transporte fluvial do Pará e relatou sobre a existência de transporte clandestino e portos com funcionamento irregular.

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Após os depoimentos colhidos na oitiva, os deputados puderam ouvir as demandas e propostas a serem observadas, entre elas a necessidade de tirar o transporte fluvial da informalidade e da necessidade da construção de um protocolo de orientação de situação de risco com sinistros, que unifique os esforços de integração institucional.Deputado Carlos Bordalo

“Não é possível que o transporte fluvial não seja considerado como um modal de transporte fundamental para o Estado, temos que retirá-lo da invisibilidade, provendo sua dimensão com os recursos necessários para a sua modernização, profissionalização e garantia da presença do Estado, com fiscalizações e maiores investimentos”, analisou o deputado Bordalo.Deputado Orlando Lobato

Para o presidente da Comissão, deputado Orlando Lobato, a primeira reunião foi muito positiva, por que foi informativa e esclarecedora, das ações de órgãos do Estado a respeito da segurança fluvial e da melhoria da qualidade nas viagens marítimas mas também dos sinistros e na área de segurança pública. “Estamos colhendo as informações para a criação de um Protocolo e ainda sistematizando e propondo ordenamentos no sentido da prevenção, na melhoria das embarcações, da dotação de equipamentos de salvatagem, bem como da qualificação do pessoal que trabalha no transporte fluvial de passageiros.

Fonte: Assembleia Legislativa do PA

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Pará bateu recorde e atingiu R$ 2 bilhões em arrecadação de ICMS em janeiro deste ano

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Estado apresenta investimentos e despesas em 2023 O Pará atingiu a arrecadação recorde  de R$ 2 bilhões em ICMS somente no mês de janeiro deste ano. Foi a maior arrecadação de ICMS da história do estado, conforme informação do secretário adjunto de Tesouro da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa), Lourival Barbalho Júnior. O secretário participou da audiência pública de prestação de contas do Governo do Estado relativa ao terceiro quadrimestre 2023, realizada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO), nesta quarta-feira (28), no auditório multiuso da Alepa.

A audiência do terceiro quadrimestre foi coordenada pelos deputados Torrinho Torres (PODEMOS), vice-presidente da CFFO; e pelo Cel. Neil (PL), que também é membro da comissão. A CFFO realiza audiência pública para que o Parlamento e a sociedade possam avaliar a gestão da administração pública estadual de cada quadrimestre do ano. O evento é balizado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO-2022).

Representante da Sefa festeja recorde de ICMS em janeiro de 2024 O representante da Sefa, Lourival Barbalho Júnior, explicou que a receita própria do estado vem tendo crescimento substancial. Hoje, “a receita própria representa dois terços da receita total”. A receita própria está em torno de 66% e a receita transferida 34% da receita total. “Isso está fazendo com que o Pará tenha um equilíbrio fiscal e proporcionando as políticas públicas do Governo do Estado”, garantiu.

O secretário estima que este ano a arrecadação cresça ainda mais, especialmente pelos resultados do ICMS, que é o imposto carro-chefe das receitas estaduais. Conforme explicou, no início do Governo de Hélder Barbalho (MDB), em 2019 essa arrecadação era de R$ 1 bilhão. E agora, no mês de janeiro de 2024, a arrecadação do período dobrou, chegando a R$ 2 bilhões. No último quadrimestre de 2023 (setembro, outubro, novembro e dezembro) estimou-se uma arrecadação do ICMS foi de R$ 18 milhões, mas o esforço tributário atingiu o valor de R$ 20 milhões no período.

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A secretária adjunta da Secretaria de Planejamento e de Administração (Seplad), Maria de Nazaré Nascimento, apresentou os investimentos com obras, programas e despesas do estado em diversas áreas, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança e transportes.

Maria de Nazaré Souza Nascimento, informou que o estado investiu 26% da Receita Líquida de Impostos e Transferências (RLIT) em 2023, estando acima do limite mínimo constitucional de 25%. As despesas com a educação foram de R$ 7,8 bilhões. Com saúde, que tem o limite constitucional de 12% da RLIT, esse percentual chegou a 14%. As despesas com a saúde foram de R$ 4,1 bilhões. A Receita Líquida de Impostos do Pará foi de R$ 29,8 bilhões.

Com relação a gastos com pessoal, no Poder Executivo, o estado chegou ao percentual de 42,24% da Receita Corrente Líquida (RCL), não atingido o percentual de limite legal de alerta, que é de 43,74% e se mantendo longe do limite máximo que é de 48,60%des. A secretária adjunta informou que neste período o governo cumpriu agenda de concursos e contemplação de planos de cargos e carreiras de órgãos estaduais. No total, os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) atingiram o percentual do gasto com pessoal de 50,03% da RCL, ficando também longe do limite máximo de 60%.

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Entre as principais realizações de 2023, Maria de Nazaré citou a entrega do Centro de Convenções Sebastião Tapajós, em Santarém; Centro de Especializado de Transtorno de Espectro Autista (CETEA), em Belém; quilômetros de rodovias asfaltadas em diversos municípios, dentre eles, Óbidos, Oriximiná, São Miguel, Marapanim e Piçarra; reconstrução de escolas em diversas regiões; inauguração do campus da UEPA no município de Parauapebas e ampliação do campus da UEPA em Castanhal; reforma e ampliação de delegacias da Polícia Civil nos municípios de Curralinho e Barcarena; comando regional e batalhão da Polícia Militar em Parauapebas; escritório regional Ideflor-Bio no município de Soure; e programas sociais “Sua Casa”, “Água Pará” e “Recomeçar”.

O deputado Cel. Neil pediu explicações sobre a capacidade de endividamento do estado mediante os empréstimos realizados pela gestão e os secretários apresentaram o relatório relativo ao assunto, destacando que pela situação fiscal atual, o estado poderia se endividar até 200% acima da receita corrente líquida. Mas, esse percentual está em 19%, devido ao controle da administração com a questão do endividamento. O deputado ressaltou a importância da audiência para o Parlamento e a sociedade tirarem dúvidas e avaliarem a administração pública estadual.

Fonte: Assembleia Legislativa do PA

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