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Audiência pública na Alepa lembra os 25 anos da educação no campo

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O auditório João Batista, localizado no segundo andar do prédio da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), foi palco de uma audiência pública que lembrou os 25 anos da educação no campo e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), nesta quinta-feira (24). Solicitada pela deputada Lívia Duarte, presidente da Comissão de Cultura da Casa de Leis, o evento iniciou por volta de 16h e contou com a participação de representantes de diversas instituições e entidades, como Fóruns de Educação, universidades e secretarias de estado. Também se fez presente a ex-deputada estadual, Marinor Brito.

Além da deputada Lívia Duarte, que liderou a sessão especial e abriu as discussões, a mesa foi composta pela ex-deputada Marinor Brito; pelo procurador de Justiça Cível do Ministério Público do Estado do Pará, Waldir Macieira da Costa Filho; o vice-reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), prof. Gilmar Pereira Da Silva; o diretor de segurança fundiária do Instituto de Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), João Pedro da Costa; o coordenador do Fórum Paraense de Educação, professor Salomão Antônio Mufarrej; diretor do Departamento de Combate à Desertificação Na Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Alexandre Bezerra Pires; a Promotora da 8° Promotoria de Justiça Agrária de Castanhal do MPPA, Ione Missae Da Silva Nakamura; a coordenadora do Núcleo das Defensoria Públicas Agrárias do Estado do Pará, Andreia Macedo Barreto; integrante da direção estadual do setor de Educação do MST no Pará, Valéria Lopes; advogado e presidente da Comissão de Educação da Ordem dos Advogados Do Brasil – Seção Pará, Marcelo Gustavo Coelho Da Costa.

Para a deputada Lívia, a audiência cumpre o papel de exaltar o trabalho de mais de duas décadas pela mobilização e luta em todo território brasileiro pela garantia do Direito dos povos tradicionais e camponeses à Educação Pública, gratuita, diferenciada e oferecida presencialmente em seus territórios.

“A gente acabou de encerrar nossa sessão especial, nossa audiência pública sobre os 25 anos da educação do campo e o Pronera, e a gente encontrou uma grande vitória da população do estado do Pará. Nós queremos educação para todo mundo de qualidade, gratuita, comprometida, e é fundamental que esse parlamento se abra para ouvir os anúncios da educação do campo. Para nós é importante que a gente continue essa luta com um grupo de trabalho de parlamentares que possa junto com a sociedade civil pensar essa qualidade, com uma frente parlamentar que seja, mas é importante que o Poder Legislativo do estado do Pará possa debruçar sobre essa educação que é longe, que é distante, que é difícil, mas que é necessária”, finalizou.

A parlamentar do PSOL ressaltou a importância do Movimento dos Sem Terra (MST) no processo de implementação das políticas de educação no campo. “Precisamos ressaltar que o MST é o maior movimento articulado da América Latina e que detém os maiores produtos sem veneno do país. Então registro o nosso compromisso para além de festejar esses 25 anos de educação no campo e do Pronera. Esse tempo merece ser festejado com encaminhamentos de hoje”, disse.

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O vice-reitor da UFPA, Gilmar da Silva, agradeceu a presença de todos e lembrou que foi coordenador do Pronera há alguns anos, e que o projeto só sobreviveu graças às lutas dos trabalhadores, “bem como todas as grandes políticas importantes. A UFPA esteve de corpo e alma nessas políticas, e eu estou feliz de estar aqui com os companheiros do MST, que têm dialogado bastante conosco sobre as políticas para a educação, sobre melhorias para trabalhadores. A universidade pública só terá sentido hoje se se preocupar em ter em seu seio os movimentos sociais, a sociedade civil. A universidade não é de favor, é de direito”, ressaltou.

A integrante do MST, Valéria Lopes, acredita que as duas políticas são resultado de uma reparação histórica. “O MST é um dos principais construtores desse processo de educação no campo e vem dialogando com a pedagogia, porque, para nós, a educação no campo é fundamental, porque além da luta pela terra, a educação é o fator que nos move cotidianamente. Trazemos a importância do Movimento Sem Terra para os demais movimentos sociais representados dentro da política pública que precisam estar em diálogo com os sujeitos detentores do conhecimento”, pontuou.

A ex-deputada Marinor Brito ressaltou a importância da representatividade da mesa, e lembrou do relatório construído pela Frente Parlamentar em Defesa da Educação, que não deve ser esquecido. “Vimos a público para reivindicar que possas assumir a liderança desse trabalho, Lívia, porque, através dele, a educação no campo passou a ser ouvida nesta Casa, conseguimos construir com vários parceiros. É a resistência em favor da educação no campo.

O relatório deixa claro para nós que os dados não são apenas alarmantes, é de extrema necessidade que a gente consiga virar essa realidade”, destacou, e cobrou, em seguida. “O Pronera tem 25 anos e não tem legislação no Pará que trate sobre os povos indígenas, quilombolas, extrativistas. Precisamos avançar”, finalizou.

O coordenador do Fórum Paraense de Educação, professor Salomão Antônio Mufarrej, iniciou sua fala afirmando: “A luta nunca morre, torna-se semente, alimenta a nossa gente de sonhos a conquistar”, e seguiu fazendo referência à Conceição Evaristo. “Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”. O educador reforça que a audiência, provocada pelo Fórum, além de celebrar, visa chamar a atenção dos órgãos públicos de gestão, como Secretaria Estadual de Educação, Conselho Estadual de Educação, os secretários municipais e os conselhos municipais de educação.

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“A gente precisava que esses que essas instituições tivessem acesso aos nossos dados dramáticos, e que se comprometessem conosco no enfrentamento deles. Essa é a nossa maior reivindicação. A ideia de celebrar uma audiência pública era na expectativa de que essas instituições viessem e compreendessem que elas precisam dialogar com os movimentos sociais, senão não vão conseguir resolver esses problemas históricos que a gente tem, não adianta fazer parceria com instituições privadas. Nós temos que fazer aliança entre as redes públicas de ensino, com as universidades públicas de ensino e com os movimentos sociais que estão no dia a dia vivenciando os graves problemas”, justificou Salomão.

Confira as instituições e entidades que participaram do evento:
• Fórum de Educação do Campo do Nordeste Paraense – Guamá
• Fórum de Educação do Campo do Baixo Tocantins – FECAF
• Fórum Estadual de Educação do Pará- FEE/PA
• Fórum Regional de educação do campo do Sul e Sudeste
• Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará – MALUNGU/PA
• Coordenação da Educação Indígena
• Rede Eco Amazônia de Desenvolvimento Sustentável coordenadora do Polo da Rota do Açaí do Nordeste Paraense
• Movimento Camponês Popular – MCP
• Movimento de Atingidos por Barragens – MAB
• Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Pará- FETAGRI-PA
• Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras Marinhas – CONFREM
• Espaço Cultural e Político Marielle Franco
• UFRA
• UEPA
• UNIFESSPA (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará)
• Fórum Estadual de Educação – FEE-PA
• Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável – SNPCT
• União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação – UNCME
• MST
• SEDUC
• União dos Dirigentes Municipais de Educação, UNDIME-Pará
• Campanha Nacional em Defesa da Escola Pública
• Grupo de Pesquisa em Movimentos Sociais, Educação e Cidadania na Amazônia (GMSECA)
• Núcleo de Meio Ambiente (NUMA)
• Wender Tembé – Povo Tembé Tereterrara
• Associação Regional do Tocantins

O protagonismo na proposição de políticas públicas educacionais sintonizadas com a vida, o trabalho e a afirmação dos territórios e territorialidades do campo, das águas e das florestas durante a sua existência, comprova a necessidade de incluir nos livros de história da educação no Brasil a construção da Educação do Campo. Na ocasião também foi apresentada aos órgãos oficiais a pauta de questões e reivindicações para assegurar o Direito à Educação dos povos do campo, quilombolas, extrativistas e ribeirinhos.

Fonte: Assembleia Legislativa do PA

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Pará bateu recorde e atingiu R$ 2 bilhões em arrecadação de ICMS em janeiro deste ano

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Estado apresenta investimentos e despesas em 2023 O Pará atingiu a arrecadação recorde  de R$ 2 bilhões em ICMS somente no mês de janeiro deste ano. Foi a maior arrecadação de ICMS da história do estado, conforme informação do secretário adjunto de Tesouro da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa), Lourival Barbalho Júnior. O secretário participou da audiência pública de prestação de contas do Governo do Estado relativa ao terceiro quadrimestre 2023, realizada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO), nesta quarta-feira (28), no auditório multiuso da Alepa.

A audiência do terceiro quadrimestre foi coordenada pelos deputados Torrinho Torres (PODEMOS), vice-presidente da CFFO; e pelo Cel. Neil (PL), que também é membro da comissão. A CFFO realiza audiência pública para que o Parlamento e a sociedade possam avaliar a gestão da administração pública estadual de cada quadrimestre do ano. O evento é balizado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO-2022).

Representante da Sefa festeja recorde de ICMS em janeiro de 2024 O representante da Sefa, Lourival Barbalho Júnior, explicou que a receita própria do estado vem tendo crescimento substancial. Hoje, “a receita própria representa dois terços da receita total”. A receita própria está em torno de 66% e a receita transferida 34% da receita total. “Isso está fazendo com que o Pará tenha um equilíbrio fiscal e proporcionando as políticas públicas do Governo do Estado”, garantiu.

O secretário estima que este ano a arrecadação cresça ainda mais, especialmente pelos resultados do ICMS, que é o imposto carro-chefe das receitas estaduais. Conforme explicou, no início do Governo de Hélder Barbalho (MDB), em 2019 essa arrecadação era de R$ 1 bilhão. E agora, no mês de janeiro de 2024, a arrecadação do período dobrou, chegando a R$ 2 bilhões. No último quadrimestre de 2023 (setembro, outubro, novembro e dezembro) estimou-se uma arrecadação do ICMS foi de R$ 18 milhões, mas o esforço tributário atingiu o valor de R$ 20 milhões no período.

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A secretária adjunta da Secretaria de Planejamento e de Administração (Seplad), Maria de Nazaré Nascimento, apresentou os investimentos com obras, programas e despesas do estado em diversas áreas, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança e transportes.

Maria de Nazaré Souza Nascimento, informou que o estado investiu 26% da Receita Líquida de Impostos e Transferências (RLIT) em 2023, estando acima do limite mínimo constitucional de 25%. As despesas com a educação foram de R$ 7,8 bilhões. Com saúde, que tem o limite constitucional de 12% da RLIT, esse percentual chegou a 14%. As despesas com a saúde foram de R$ 4,1 bilhões. A Receita Líquida de Impostos do Pará foi de R$ 29,8 bilhões.

Com relação a gastos com pessoal, no Poder Executivo, o estado chegou ao percentual de 42,24% da Receita Corrente Líquida (RCL), não atingido o percentual de limite legal de alerta, que é de 43,74% e se mantendo longe do limite máximo que é de 48,60%des. A secretária adjunta informou que neste período o governo cumpriu agenda de concursos e contemplação de planos de cargos e carreiras de órgãos estaduais. No total, os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) atingiram o percentual do gasto com pessoal de 50,03% da RCL, ficando também longe do limite máximo de 60%.

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Entre as principais realizações de 2023, Maria de Nazaré citou a entrega do Centro de Convenções Sebastião Tapajós, em Santarém; Centro de Especializado de Transtorno de Espectro Autista (CETEA), em Belém; quilômetros de rodovias asfaltadas em diversos municípios, dentre eles, Óbidos, Oriximiná, São Miguel, Marapanim e Piçarra; reconstrução de escolas em diversas regiões; inauguração do campus da UEPA no município de Parauapebas e ampliação do campus da UEPA em Castanhal; reforma e ampliação de delegacias da Polícia Civil nos municípios de Curralinho e Barcarena; comando regional e batalhão da Polícia Militar em Parauapebas; escritório regional Ideflor-Bio no município de Soure; e programas sociais “Sua Casa”, “Água Pará” e “Recomeçar”.

O deputado Cel. Neil pediu explicações sobre a capacidade de endividamento do estado mediante os empréstimos realizados pela gestão e os secretários apresentaram o relatório relativo ao assunto, destacando que pela situação fiscal atual, o estado poderia se endividar até 200% acima da receita corrente líquida. Mas, esse percentual está em 19%, devido ao controle da administração com a questão do endividamento. O deputado ressaltou a importância da audiência para o Parlamento e a sociedade tirarem dúvidas e avaliarem a administração pública estadual.

Fonte: Assembleia Legislativa do PA

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