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Expositores pedem dados mais precisos e prioridade à moradia para população em situação de rua

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A necessidade de produção de dados sobre a população em situação de rua, a questão das crianças e dos adolescentes e a disponibilização de moradia como prioridade estiveram entre as principais preocupações dos participantes da audiência pública convocada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir as condições de vida das pessoas que vivem em situação de rua no Brasil. O tema é objeto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 976.

Moradia primeiro

Integrantes de grupos sociais que defendem os direitos das pessoas que vivem nas ruas, como o Sistema Único de Assistência Social (Suas) e o Inrua, defenderam mais atenção para o modelo “Moradia Primeiro” (HousingFirst), iniciado nos Estados Unidos. A política parte da estruturação do local de moradia para, depois, incluir as demais políticas públicas. Outro ponto lembrado foi a falta de condições de mobilidade para pessoas com deficiência que vivem nas ruas.

Crianças e adolescentes

A advogada Mariana Albuquerque Zan, do Instituto Alana, e Adriana Padua Borghi e Ruthiléia Ferreira Barbosa, do Instituto Brasileiro de Direito da Criança e do Adolescente, focaram nos menores de idades que vivem nas ruas. Segundo elas, contudo, não é possível pensar em políticas públicas efetivas para essas pessoas sem saber quem são. Assim como outros participantes, propuseram que seja feito um censo para entender o motivo de crianças e adolescentes preferirem viver nas ruas, e não em suas casas, com suas famílias.

Subnotificação

Os representantes do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, André Luiz Freitas Dias e Maria Fernanda Salcedo Repolês, ressaltaram que a subnotificação na base de dados e a desatualização dos registros foram agravadas durante a pandemia da covid-19. Já Marco Antônio Carvalho Natalino, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirmou que os dados oficiais, atualmente, mostram 281 mil pessoas em situação de rua no país.

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Cadastro Único

O padre Júlio Lancelotti, representante da Pastoral do Povo de Rua, defendeu a desburocratização do Cadastro Único (CadÚnico) para a população de rua ser incluída nos auxílios e demais benefícios sociais. Ele também afirmou que as Guardas Civis metropolitanas precisam ter uma orientação clara para lidar com esse grupo, para não agir com crueldade ou violência.

Competência

Pela categoria dos guardas municipais, Oséias Francisco da Silva disse que é preciso definir as competências e as atribuições da categoria, de forma que possam agir em sintonia com a preservação da cidadania, da vida, das liberdades e do uso progressivo da força nos casos de necessidade.

Zeladoria

Os especialistas também chamaram a atenção para como o serviço de zeladoria é mal implementado nos municípios. Representantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV), da Universidade de São Paulo (USP) e da Rede Rio Criança propuseram a criação de um canal de denúncia sobre violações praticadas contra pessoas em situação de rua e alertaram para a necessidade de melhor estrutura de banheiros públicos e de expansão dos restaurantes comunitários.

Maternidade

Janaína Dantas Germano Gomes, da Adotiva (Associação de Pessoas Adotadas), e Mateus Rios Silva Santos, do Centro de Referência em Direitos Humanos Marcos Dionísio, ressaltaram a situação dramática das mães que têm filhos em situação de rua, porém os perdem, porque acabam sendo retirados delas.

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Saúde

A psicanalista Adriana Rangel, da Universidade Federal de Mato Grosso, e o sanitarista Bruno Mariani de Souza Azevedo, da Unicamp, abordaram os problemas de saúde dessa população, como uso de drogas, transtornos mentais e doenças causadas pela desidratação, algumas vezes por falta de acesso à água.

Minoria

Maria Sueli Oliveira, da Associação Maria Lucia de Salvador (BA), destacou que a maioria da população em situação de rua é composta de negros e pardos e também chamou a atenção para a violência sofrida por mulheres cis e trans que estão nessa condição.

Identificação civil

Representando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Wellington Medeiros afirmou que a identificação civil da população em situação de rua é prioridade para o CNJ, de forma que ela alcance outros direitos e auxílios governamentais.

Titulação

A titulação da moradia foi outro ponto tratado por professores, estudiosos e acadêmicos que participaram da audiência, como Arícia Fernandes Correia, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ela destacou a importância do julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1289782 (Tema 1122 da repercussão geral), referente à imunidade tributária recíproca para a construção de moradias para famílias de baixa renda.

Arquitetura hostil

Outras questões já abordadas na primeira parte da audiência, realizada na segunda-feira (21), voltaram a ser tratadas, como a arquitetura hostil, para afastar intencionalmente a população de rua dos centros urbanos, a aporofobia (aversão aos pobres) e a criminalização da pobreza.

RR, AR e RP//RR, CF

Fonte: STF

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Presidente do STF Rosa Weber participa de encontro do Judiciário no TRF-4 e inaugura novas instalações do TRE-RS

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A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Rosa Weber, encerrou, na sexta-feira (12), em Porto Alegre (RS), o III Encontro Nacional de Memória do Poder Judiciário (Enam). No evento, realizado no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), ela recebeu uma placa pelo reconhecimento de sua atuação na defesa dos direitos humanos e na preservação, valorização e difusão da memória do Judiciário.

Em seu discurso, a presidente do STF e do CNJ enfatizou o papel fundamental do Judiciário no atual contexto do país. “Reafirma-se a ideia de um Judiciário unido e forte, ideia que há de ser amplamente difundida como contraponto à campanha de desinformação que alimentou a gênese dos atos criminosos do último dia 8 de janeiro”, afirmou.

Memória institucional

A ministra Rosa Weber ressaltou que o Judiciário deve preservar a memória institucional para que o episódio não seja esquecido e como uma condição para que não se repita. “E para que relembremos, sempre, a indispensabilidade do cultivo diuturno da nossa democracia e do aperfeiçoamento das instituições democráticas no Brasil. Uma sociedade sem história está condenada a repetir os seus erros”, ponderou.

Diretrizes

O III Enam, que reuniu mais de 350 magistradas, magistrados, servidoras e servidores do Judiciário de todo o Brasil, teve por objetivo traçar diretrizes para dar um tratamento adequado aos documentos relevantes, para preservação da sua história, demonstrando seu papel na construção da cidadania do povo brasileiro.

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O evento teve por tema “Estruturando a memória” e foi promovido de forma conjunta pelo CNJ e cincos tribunais gaúchos: TRF-4, Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4), Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) e o Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul (TJM-RS).

Medalha Moysés Vianna

Ainda na sexta-feira, a ministra Rosa Weber participou da instalação da nova sede do TRE-RS, no Centro Histórico de Porto Alegre. Na ocasião, ela recebeu a Medalha Moysés Vianna do Mérito Eleitoral, mais alta distinção da Justiça Eleitoral gaúcha, destinada a personalidades que tenham se destacado em matéria de Direito Eleitoral ou no aperfeiçoamento da Justiça Eleitoral.

O presidente do TRE-RS, desembargador Francisco José Moesch, destacou a trajetória exemplar da ministra de dedicação ao serviço público e aos direitos humanos. Frisou ainda a importância do trabalho dela à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2018, quando impulsionou o cadastramento biométrico nacional.

Marco de resiliência, determinação e tenacidade

O ministro do STF e presidente do TSE, Alexandre de Moraes, enviou mensagem alusiva à condecoração recebida pela ministra Rosa Weber. Ele destacou a firme e efetiva atuação dela na reconstrução do Supremo após a invasão do 8 de janeiro, ressaltando que sua “liderança construtiva é um marco de resiliência, determinação e tenacidade”.

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Veja a íntegra da mensagem do ministro Alexandre de Moraes
Foi o Rio Grande do Sul que produziu José Francisco de Assis Brasil, pai da nossa Justiça Eleitoral, e Moysés Antunes Vianna, juiz que, aqui mesmo, no Rio Grande, deu a vida pela correção eleitoral, já nos primeiros anos de vigência do Código Eleitoral Assis Brasil.

Por tudo isso, é muito significativo ver agraciada com a Medalha Moysés Vianna a Ministra Rosa Weber, cinco meses após o infame 08 de janeiro em que a sede do Supremo Tribunal Federal foi vilipendiada por vendilhões da democracia. Vossa Excelência, caríssima Ministra Rosa Weber, em menos de um mês promoveu a reconstituição do Supremo, retomando os trabalhos já no dia 1º de fevereiro seguinte. Assim, a liderança construtiva de Vossa Excelência é um marco de resiliência, determinação e tenacidade.

Em nome do Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ministro Alexandre de Moraes, tenho a imensa satisfação de parabenizar Vossa Excelência, Ministra Rosa Weber, pela Medalha Moysés Vianna, concedida pela Corte Eleitoral gaúcha, cuja Escola recebe o nome de outro grande filho dos pampas, Paulo Brossard de Souza Pinto, assim como Vossa Excelência, antigo Presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Vossa Excelência honra o Rio Grande, a Justiça brasileira e o nosso País!

Com informações e fotos do CNJ, TRF-4 e TRE-RS.

Fonte: STF

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