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Desnutrição entre idosos no Brasil preocupa especialistas

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Em audiência pública na Câmara dos Deputados sobre as causas da desnutrição entre pessoas idosas no Brasil, especialistas afirmaram que mais da metade da população idosa no Brasil está obesa devido ao crescente consumo de alimentos ultraprocessados.

O problema preocupa especialistas ouvidos nesta quarta-feira (9) pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. O debate ocorreu a pedido do deputado Luiz Couto (PT-PB).

De acordo com as debatedoras presentes, o nível de desnutrição na população idosa é menor que o índice observado no restante dos brasileiros. As consequências do problema, no entanto, são mais graves para os idosos.

A coordenadora de Apoio às Ações de Promoção da Alimentação Saudável do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Bruna Pitasi, relatou que caiu o porcentual de idosos com baixo peso no País. Hoje, 12% da população idosa estão abaixo do peso considerado saudável. Em 2009, esse índice chegava a 18%.

Em compensação, cresceu o número de idosos com sobrepeso ou obesidade, problema que já atinge 51% dessa população. Ana Flávia Rezende alerta que entre os idosos com maior porcentual de gordura pode persistir a desnutrição e a perda de massa muscular.

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Obesidade ou sobrepeso, inclusive, podem ser fatores que dificultam o diagnóstico de desnutrição, conforme esclareceu a representante da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Simone Fiebrantz Pinto.

“Muitas vezes a gente olha clinicamente o paciente idoso com sobrepeso e obesidade e acaba pensando que tem reserva nutricional. E muitas vezes a gente tem, na sua maioria, o idoso obeso sarcopênico. Então, ele tem uma gordura acumulada, mas ele não tem massa muscular adequada para poder realizar as atividades de vida diária, serem independentes, garantir a sua autonomia.”

A Coordenadora Técnica de Nutrição do Conselho Federal de Nutrição, Ana Flávia Rezende, explicou que as mudanças fisiológicas próprias do envelhecimento já acarretam perda de massa muscular, problema agravado pela má nutrição.

Segundo a especialista, além de diminuir a mobilidade e a independência dos idosos, a redução da massa magra, chamada de sarcopenia, está relacionada ao aumento de doenças crônicas, como hipertensão, e pior resposta ao tratamento de doenças como o câncer.

“A sarcopenia, num paciente idoso e obeso, é extremamente grave, porque toda a funcionalidade dele vai ficar comprometida: levantar da cama passa ser um problema, tirar as pernas do chão para cima da cama passa ser um problema”, exemplificou.

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O crescimento da obesidade e do sobrepeso entre idosos, segundo afirmaram todas as palestrantes, está relacionado ao aumento do consumo de alimentos ultraprocessados. Dentre os fatores que contribuem para essa mudança de hábito alimentar, as especialistas ressaltaram a facilidade no preparo e o preço menor.

Prevenção
Dentre as medidas que podem melhorar a nutrição da população idosa, Simone Fiebrantz Pinto, destacou a importância da atuação das equipes de saúde da família no diagnóstico precoce, de modo a intervir e impedir complicações da saúde e hospitalizações.

A representante da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia também defendeu a aprovação de um projeto de lei em análise na Câmara que prevê a oferta gratuita de suplementação nutricional para idosos diagnosticados com desnutrição no Sistema Único de Saúde (PL 4729/24). De acordo com a médica, a suplementação reduz em quase 40% a mortalidade de pacientes desnutridos.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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Paim critica suspensão pelo STF de processos sobre ‘pejotização’

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O senador Paulo Paim (PT-RS) criticou, em pronunciamento no Plenário nesta segunda-feira (5), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu os processos que discutem a legalidade da “pejotização” — prática em que empresas contratam trabalhadores como pessoas jurídicas (PJ) para evitar o vínculo formal com carteira assinada.

— O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) destacou que essa suspensão “fere o princípio constitucional da garantia de acesso ao Poder Judiciário, negando a prestação jurisdicional por tribunais mais habilitados a reconhecer a pejotização ou as terceirizações ilícitas”. Essa tentativa de enfraquecer a Justiça do Trabalho também silencia os trabalhadores e desconsidera as vozes das ruas, daqueles que estão com as mãos calejadas — afirmou.

Segundo o parlamentar, a pejotização fragiliza os direitos trabalhistas porque o modelo de contratação disfarça vínculos formais de emprego, mantendo características como jornada definida, subordinação e salário fixo, mas sem garantir os direitos previstos na CLT, como férias, 13º salário, FGTS e seguro-desemprego.

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— Essa prática é frequentemente utilizada para reduzir encargos trabalhistas e tributários, mas configura fraude quando encobre uma relação de emprego tradicional. Quando essa fraude é efetivamente comprovada, os responsáveis podem ser condenados ao pagamento dos valores devidos e não pagos pertinentes à relação trabalhista — disse.

Paim também citou dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), indicando que a pejotização já atinge cerca de 18 milhões de trabalhadores. De acordo com o parlamentar, desde a reforma trabalhista, esse modelo de contratação causou perdas de aproximadamente R$ 89 bilhões na arrecadação, colocando em risco a manutenção da Previdência Social. Ele anunciou a realização de uma audiência pública na próxima quinta-feira (9), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), para debater o tema com entidades sindicais, representantes do governo, do Judiciário e do Ministério Público.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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