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Audiência Pública propõe instalação de CAPs nas Usinas da Paz

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Violência nas escolas foi o tema da Audiência Pública realizada, nesta quinta-feira (11), no plenário João Batista da Assembleia Legislativa do Pará, a pedido dos deputados: Carlos Bordalo, Lívia Duarte e Maria do Carmo, tendo por razão casos registrados em São Paulo, Santa Catarina, Brasília e em Belém.

Respectivamente, onde uma professora morreu, vítima de arma branca; de quatro crianças que vieram a óbito depois de um ataque em uma creche; o caso de um aluno do oitavo ano que ameaçou abrir fogo contra os colegas de classe que fossem à escola naquele dia; e o de um aluno, da escola estadual Palmira Gabriel, sendo esfaqueado por outro, no espaço escolar, causando pânico e desespero entre alunos, professores e demais servidores que tiveram de ser retirados da unidade escolar, durante a ocorrência, fazendo com que a capital paraense entrasse em alerta à situação.

No debate, viu-se presente ainda a questão da saúde mental, a partir da situação do aumento da taxa de suicídio e mutilações entre jovens, os aspectos institucionais e sociais do contexto da violência nas escolas, sua multidimensionalidade, relações e implicações estruturantes no cotidiano do ambiente escolar, bem como estratégias para seu enfrentamento.

Após as 15 falas com expositores, foram acertadas medidas a serem implementadas para fazer frente aos problemas identificados. Entre outras, o deputado Carlos Bordalo destacou a necessidade de instalação imediata de um Comitê para elaboração de um protocolo de orientação para o Estado do Pará, a partir da sistematização do que foi relatado e colhido na audiência. E o esforço de integração para que os órgãos estatais unifiquem o trabalho, com a instalação de Centros de Atenção Psicossocial nas Usinas da Paz instaladas e nas que irão ser instaladas.

Antes do ataque agressor chora e pede ajuda a professora

Em depoimento na audiência, a professora de português Maricléa Marinho, da Escola Palmira Gabriel, que é psicóloga, contou que, uma semana antes do incidente, foi procurada pelo aluno agressor, que tem 16 anos, cujo pai tirou a própria vida, e relatou sobre vulnerabilidades sociais que estaria passando.

“Chorou muito e me disse que estava precisando de apoio em todos os níveis, familiar, e na saúde mental dele”. Decepcionada a professora, concluiu que a escola hoje está perdendo força. “Não temos a quem buscar. Quando vamos na coordenação, está superlotada de problemas e vamos deixando. Quando se passa para o Conselho Tutelar, parece que não vai a frente. Procuro profissionais capacitados, o sistema de saúde não nos oferece”.

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E lembrou o discurso de uma assistente social nas dependências do CEAM, que a marcou. “Que pena, para ele conseguir os seus direitos, precisou perder a liberdade”. O garoto e sua família estão tendo assistência dos programas sociais, que quando estava em liberdade não tinham acesso. “E muito outros passam também por esse problema”.

Violência nas escolas: uma percepção social
A professora, doutora, psicóloga e pesquisadora Flávia da Silveira Lemos desenvolveu uma abordagem em forma de exposição: “Violência nas escolas: uma percepção social”. Ela considera que a violência expressa o não dito de outras formas, e que a violência é um conjunto de linguagens, que explicita uma série de conflitos não resolvidos, não mediados pelas diversas organizações, equipamentos e comunidades. “Então precisamos pensar sobre o que estas violências, cada uma delas em sua particularidade, querem nos dizer”.

Para ela, qualquer criação de programa que pretenda trabalhar a perspectiva de prevenção e promoção de saúde mental e coletiva, tem que ser dentro de um processo de democracia social”. A pesquisadora afirma que a violência é uma relação social e que para enfrentá-la, temos que estar preparados para lidar com os conflitos e para isso, apostar nos espaços de diálogos e de convívio social. Para ela, os gestores e agentes precisam defender as políticas públicas em geral e a democracia, os que lutam por instituições democráticas que estão sendo atacados por princípios e atitudes fascistas.

A deputada Lívia Duarte abordou a complexidade da situação da violência e percebeu um descolamento da realidade entre os números oficiais, quando comparados com os números das denúncias originadas nas escolas. “Somente quando temos esta proximidade é que percebemos o quanto é grave a violência no ambiente escolar”. E responsabilizou ainda o governo do ex-presidente Bolsonaro como grande incentivador da violência nas escolas. “Crianças fazendo sinal de armas na mão como fosse normal, saques e cortes de verbas na educação”, citou.

Para Bordalo, a complexidade da questão exige um olhar cuidadoso e responsável de toda sociedade e esforços coletivos na criação de políticas públicas voltadas ao combate da violência nas escolas. “Violência que atinge não somente a comunidade escolar, mas toda a sociedade”, disse e considerou que que a abordagem da questão será contínua e permanente. “Precisamos construir um ambiente mais seguro, saudável e adequado para a formação cidadão de meninos, meninas, alunos de escolas públicas e privadas”, disse Bordalo.

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Sílvia Letícia, vereadora de Belém e membro do Conselho Municipal de Educação, fez uma análise sobre as causas da violência nas escolas do Pará e questionou a presença da PM no interior das escolas. Já Conceição Holanda, da coordenação da Secretaria Geral do Sintepp, abordou como o aumento da violência nas escolas afeta o professor, fazendo um pedido de providências e apoio para uma professora da Escola Dom Pedro I, em Val de Cans, onde quatro alunos ameaçaram de incendiar sua casa e ainda de esfaqueá-la na escola. A professora está de licença saúde e muito abalada emocionalmente. Os pedidos foram repassados às autoridades presentes para providências.

Pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) falou, Mário Augusto Vitoriano, que falou sobre o Projeto Escola Segura, lançado no mês de abril pelo Governo do Estado do Pará e que pretende reforçar o diálogo e a cooperação técnica entre instituições de proteção, como o sistema de Justiça e o Conselho Tutelar, a escola, a segurança pública e, especialmente, a família, para garantir ações efetivas em todas as etapas e processos. Já a secretária de educação de Belém, Araceli Lemos, falou sobre o Protocolo de Segurança para a Rede Municipal em desenvolvimento na cidade de Belém, que atua para mitigar os riscos e traz orientações às escolas municipais com ações a curto, médio e longo prazos de garantia aos estudantes, professores e funcionários das escolas municipais.

Já o secretário estadual Jarbas Vasconcelos, da Igualdade Racial e de Direitos Humanos, considerou a audiência como uma roda de conversa e explicou que está em uma fase de estruturação das políticas públicas em sua área. “Não tem política sem estrutura, e estamos nesse momento viabilizando condições para implementação das políticas, dando consequência e lógica dos discursos, que estão dialogando para institucionalizar a política de direitos humanos”.

Participaram ainda André Bassalo, ouvidor geral do Estado; a promotora de Justiça Leane Barros; o Defensor Público Márcio Coelho; e o reitor em exercício da UFPa, Gilmar Pereira. E ainda, Paulo Victor, representando o Tribunal Regional Eleitoral e o vereador Fernando Carneiro.

Todas as fotos da Audiência Pública estão disponíveis em nosso Banco de Imagens.

Fonte: Assembleia Legislativa do PA

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Pará bateu recorde e atingiu R$ 2 bilhões em arrecadação de ICMS em janeiro deste ano

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Estado apresenta investimentos e despesas em 2023 O Pará atingiu a arrecadação recorde  de R$ 2 bilhões em ICMS somente no mês de janeiro deste ano. Foi a maior arrecadação de ICMS da história do estado, conforme informação do secretário adjunto de Tesouro da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa), Lourival Barbalho Júnior. O secretário participou da audiência pública de prestação de contas do Governo do Estado relativa ao terceiro quadrimestre 2023, realizada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO), nesta quarta-feira (28), no auditório multiuso da Alepa.

A audiência do terceiro quadrimestre foi coordenada pelos deputados Torrinho Torres (PODEMOS), vice-presidente da CFFO; e pelo Cel. Neil (PL), que também é membro da comissão. A CFFO realiza audiência pública para que o Parlamento e a sociedade possam avaliar a gestão da administração pública estadual de cada quadrimestre do ano. O evento é balizado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO-2022).

Representante da Sefa festeja recorde de ICMS em janeiro de 2024 O representante da Sefa, Lourival Barbalho Júnior, explicou que a receita própria do estado vem tendo crescimento substancial. Hoje, “a receita própria representa dois terços da receita total”. A receita própria está em torno de 66% e a receita transferida 34% da receita total. “Isso está fazendo com que o Pará tenha um equilíbrio fiscal e proporcionando as políticas públicas do Governo do Estado”, garantiu.

O secretário estima que este ano a arrecadação cresça ainda mais, especialmente pelos resultados do ICMS, que é o imposto carro-chefe das receitas estaduais. Conforme explicou, no início do Governo de Hélder Barbalho (MDB), em 2019 essa arrecadação era de R$ 1 bilhão. E agora, no mês de janeiro de 2024, a arrecadação do período dobrou, chegando a R$ 2 bilhões. No último quadrimestre de 2023 (setembro, outubro, novembro e dezembro) estimou-se uma arrecadação do ICMS foi de R$ 18 milhões, mas o esforço tributário atingiu o valor de R$ 20 milhões no período.

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A secretária adjunta da Secretaria de Planejamento e de Administração (Seplad), Maria de Nazaré Nascimento, apresentou os investimentos com obras, programas e despesas do estado em diversas áreas, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança e transportes.

Maria de Nazaré Souza Nascimento, informou que o estado investiu 26% da Receita Líquida de Impostos e Transferências (RLIT) em 2023, estando acima do limite mínimo constitucional de 25%. As despesas com a educação foram de R$ 7,8 bilhões. Com saúde, que tem o limite constitucional de 12% da RLIT, esse percentual chegou a 14%. As despesas com a saúde foram de R$ 4,1 bilhões. A Receita Líquida de Impostos do Pará foi de R$ 29,8 bilhões.

Com relação a gastos com pessoal, no Poder Executivo, o estado chegou ao percentual de 42,24% da Receita Corrente Líquida (RCL), não atingido o percentual de limite legal de alerta, que é de 43,74% e se mantendo longe do limite máximo que é de 48,60%des. A secretária adjunta informou que neste período o governo cumpriu agenda de concursos e contemplação de planos de cargos e carreiras de órgãos estaduais. No total, os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) atingiram o percentual do gasto com pessoal de 50,03% da RCL, ficando também longe do limite máximo de 60%.

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Entre as principais realizações de 2023, Maria de Nazaré citou a entrega do Centro de Convenções Sebastião Tapajós, em Santarém; Centro de Especializado de Transtorno de Espectro Autista (CETEA), em Belém; quilômetros de rodovias asfaltadas em diversos municípios, dentre eles, Óbidos, Oriximiná, São Miguel, Marapanim e Piçarra; reconstrução de escolas em diversas regiões; inauguração do campus da UEPA no município de Parauapebas e ampliação do campus da UEPA em Castanhal; reforma e ampliação de delegacias da Polícia Civil nos municípios de Curralinho e Barcarena; comando regional e batalhão da Polícia Militar em Parauapebas; escritório regional Ideflor-Bio no município de Soure; e programas sociais “Sua Casa”, “Água Pará” e “Recomeçar”.

O deputado Cel. Neil pediu explicações sobre a capacidade de endividamento do estado mediante os empréstimos realizados pela gestão e os secretários apresentaram o relatório relativo ao assunto, destacando que pela situação fiscal atual, o estado poderia se endividar até 200% acima da receita corrente líquida. Mas, esse percentual está em 19%, devido ao controle da administração com a questão do endividamento. O deputado ressaltou a importância da audiência para o Parlamento e a sociedade tirarem dúvidas e avaliarem a administração pública estadual.

Fonte: Assembleia Legislativa do PA

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