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Presidente do comitê que regula marketing jurídico diz que norma deve ser aplicável a qualquer plataforma

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Presidente do Comitê Regulador de Marketing Jurídico (CMJ), Milena Gama acredita que lidar com a chegada cada vez mais rápida de novas tecnologias é um desafio que deve ser enfrentado permanentemente. Milena, que é secretária-geral adjunta da OAB Nacional, defende que esse trabalho de aperfeiçoamento de regras e procedimentos abranja não somente plataformas de redes sociais, mas também a ação de startups que oferecem serviços jurídicos.

Nesta entrevista, a presidente do CMJ fala sobre as perspectivas do grupo que tem a missão de pacificar e unificar a interpretação do tema perante os Tribunais de Ética e Disciplina e Comissões de Fiscalizações das Seccionais e de acompanhar a evolução dos critérios específicos da área na advocacia.

“A evolução tecnológica é uma realidade difícil de acompanhar, por isso, é humanamente impossível prever nos regramentos todas as formas e meios em que a publicidade pode ser realizada. Portanto, é preciso aprimorar cada vez mais a norma para que esta possa ser aplicada independentemente da plataforma utilizada pela advocacia ao promover a publicidade”, defende a presidente do Comitê Regulador de Marketing Jurídico.

Milena afirma ainda que a proliferação de startups que oferecem serviços jurídicos continuará sendo um tema em foco também no CMJ. Ela revela que há planos para uma ferramenta que auxilie esse trabalho.

“A Coordenação Nacional de Fiscalização da Atividade Profissional da Advocacia e a Corregedoria-Geral estudam a retomada de desenvolvimento, pela Gerência de Tecnologia do CFOAB, de uma ferramenta para identificar e rastrear startups que promovem o litígio. Ela será ainda um instrumento para que possamos fiscalizar a atuação em massa nos tribunais, com intuito de localizar advogados que, porventura, estejam captando clientes indevidamente”, disse.

Confira a seguir a íntegra da entrevista.

CFOAB – Como o Comitê Regulador do Marketing Jurídico ajudará a advocacia a se comunicar sem infringir regras no que diz respeito à publicidade e marketing?

Milena Gama – É certo que o processo de aplicação e de interpretação das normas gera dúvidas, debates, pontos de vistas e teses conflitantes e, prevendo essas situações, o artigo 9º do Provimento 205/2021 instituiu o Comitê Regulador do Marketing Jurídico (CMJ), cujo escopo é de caráter consultivo. Ele foi criado com a finalidade de pacificar e unificar a interpretação dos temas pertinentes perante os Tribunais de Ética e Disciplina e Comissões de Fiscalizações das Seccionais, além de acompanhar a evolução dos critérios específicos sobre marketing, publicidade e informação na advocacia. Ainda, para que a nova norma seja mais bem compreendida, em todos os seus aspectos, o Conselho Federal da OAB deve editar em breve uma obra comentada, com apoio do CMJ, de forma minuciosa e com a profundidade que o tema exige. Com uma abordagem essencialmente didática, essa publicação pretende enxergar respostas às complexas questões que possam surgir decorrentes da aplicação e interpretação do referido provimento. Importante frisar que tanto a atuação do CMJ como a da Coordenação Nacional de Fiscalização da Atividade Profissional da Advocacia (CNF) e da Corregedoria-Geral (CGD) não têm caráter punitivo, mas sim pedagógico e instrutivo.

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CFOAB – O Comitê receberá denúncias?

Milena Gama – As denúncias de publicidade e propaganda irregulares são objeto de competência da Coordenação Nacional de Fiscalização da Atividade Profissional da Advocacia e das Comissões de Fiscalização nas seccionais. O Comitê Regulador do Marketing Jurídico receberá requerimentos de consultas de casos concretos, em tese por meio de canal próprio que será divulgado em breve.

CFOAB – O Comitê Regulador do Marketing Jurídico definiu a prioridade entre as muitas atribuições especificadas na resolução 23/2022?

Milena Gama – A composição do Comitê Regulador do Marketing Jurídico é recente e, portanto, assim que iniciadas as reuniões do grupo serão discutidas as prioridades. Contudo, chegando inúmeros requerimentos de assunto recorrente, estes poderão ter tratamento especial para que seja dada uma resposta rápida.

CFOAB – Em termos de novas tecnologias de marketing e mídias sociais, o que mais preocupa o Comitê Regulador do Marketing Jurídico?

Milena Gama – Diante da recente nomeação dos membros que compõem o comitê, ainda não foi realizado um debate para pontuar as maiores preocupações do grupo. Entretanto, entendo que, dando continuidade ao trabalho que já vem sendo realizado pela Coordenação Nacional de Fiscalização da Atividade Profissional da Advocacia e Corregedoria-Geral, a proliferação de startups que oferecem serviços jurídicos continuará sendo um tema em foco também no CMJ.

CFOAB – Existe uma demanda reprimida por propaganda na advocacia que sofre com a falta de regras mais claras?

Milena Gama – Com o passar dos anos e, principalmente, em razão da evolução tecnológica vivida na última década, a legislação existente acerca da publicidade na advocacia acabou por ficar obsoleta, por não contemplar diversas formas de comunicação existentes atualmente. Com o novo regramento, os conceitos foram mais bem classificados, buscando diminuir a elasticidade da interpretação da norma e um entendimento mais objetivo. Contudo, o Comitê Regulador do Marketing Jurídico foi criado exatamente para identificar novas condutas não regulamentadas sugerindo alterações para manter a norma sempre atualizada, clara e objetiva.

CFOAB – Como lidar de forma equilibrada com o dilema entre atrair clientes e não mercantilizar a advocacia?

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Milena Gama – Há uma clara diferença entre publicidade e propaganda. É permitido ao advogado fazer publicidade, desde que respeitando os limites impostos pela legislação vigente. Com os meios de comunicação existentes atualmente, os advogados podem divulgar o seu trabalho, com o patrocínio de postagens de conteúdo, podendo, assim, serem conhecidos por um número maior de pessoas. Sempre primando pela sobriedade típica da atividade profissional da advocacia. Por outro lado, a propaganda não é permitida, visto que tem caráter mercantilista, pois, nesses casos, o objetivo é angariar clientes por meio da persuasão, frases de engrandecimento, melhores condições.

CFOAB – A OAB tem discutido recorrentemente o tema da publicidade e muito se avançou. Quais os assuntos precisam avançar mais para contemplar o mundo atual e a demanda da advocacia?

Milena Gama – A evolução tecnológica é uma realidade difícil de acompanhar. Por isso, é humanamente impossível prever nos regramentos todas as formas e meios em que a publicidade pode ser realizada. Portanto, é preciso aprimorar cada vez mais a norma para que esta possa ser aplicada independentemente da plataforma utilizada pela advocacia ao promover a publicidade.

CFOAB – Como a OAB e agora o Comitê Regulador do Marketing Jurídico tratarão a proliferação das empresas de tecnologia voltadas ao litígio judicial?

Milena Gama – A Coordenação Nacional de Fiscalização da Atividade Profissional da Advocacia e Corregedoria-Geral estudam a retomada de desenvolvimento, pela Gerência de Tecnologia do CFOAB, de uma ferramenta para identificar e rastrear startups que promovem o litígio. Ela será ainda um instrumento para que possamos fiscalizar a atuação em massa nos tribunais, com intuito de localizar advogados que, porventura, estejam captando clientes indevidamente. O Comitê Regulador do Marketing Jurídico certamente será fundamental nisso, caso identifique situações de irregularidades nesse sentido, encaminhando esses casos aos nossos órgãos de fiscalização.

CFOAB – É previsto que o Comitê deverá unificar a interpretação dos temas pertinentes perante os Tribunais de Ética e Disciplina e Comissões de Fiscalização das Seccionais. Quais temas devem ser os temas prioritários nesse processo de unificação?

Milena Gama – Como a nomeação dos membros que compõem o Comitê Regulador do Marketing Jurídico é bastante recente, ainda não foi possível mapear as demandas existentes e definir os critérios de prioridade. Porém, reforço que a atuação em face de startups que oferecem serviços jurídicos é um foco que temos tido muita sensibilidade e atenção.

Fonte: OAB Nacional

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Conselho Federal esclarece inclusão de novos conteúdos no 38º Exame de Ordem

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Conforme previsto em Provimento aprovado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB), o 38º Exame de Ordem Unificado (EOU) terá a inclusão de três áreas na avaliação: Direito Eleitoral, Financeiro e Previdenciário. O total de questões da primeira fase permanecerá o mesmo, 80. Contudo, as áreas de Direito Administrativo, Direito Civil, Processo Civil e Direito Empresarial terão 1 questão a menos, cada, a fim de incluir duas questões de cada um dos novos conteúdos inseridos na prova.

O aperfeiçoamento do EOU tem sido alvo de reuniões recorrentes entre o presidente da Comissão Nacional de Exame de Ordem do Conselho Federal, Marco Aurélio de Lima Choy, o presidente da Coordenação Nacional do Exame de Ordem Unificado, Celso Barros Coelho Neto, e a Fundação Getulio Vargas, responsável pela aplicação da prova.

O presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti, explica que a atuação da entidade para a melhoria dos cursos de direito e para incremento da avaliação se pauta pela responsabilidade em fornecer à sociedade profissionais habilitados a exercerem a advocacia. “Nossa gestão luta, diuturnamente, pela modernização do ensino jurídico brasileiro, sem dispor de sua qualidade, eficiência e superioridade técnico-científica. Esse é o nosso desafio e o nosso compromisso”, afirma.

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O professor Choy reforça a importância da avaliação para a sociedade brasileira e para o mercado de trabalho. “O Exame de Ordem tem de refletir as demandas atuais do exercício da advocacia. Há uma necessidade constante de atualização da prova em relação aos conteúdos desenvolvidos nas Faculdades de Direito e a sua observância no âmbito das Diretrizes Curriculares Nacionais”, explica. Choy ressalta, ainda, o trabalho realizado pela Fundação Getulio Vargas na organização da terceira maior prova do país.

O Coordenador do Exame, Celso Barros, por sua vez, explica que a introdução de novos conteúdos na prova contempla o anseio de professores e Instituições de Ensino Superior e, principalmente, da Sociedade Brasileira. “Na atualidade, é imprescindível o conteúdo de Direito Eleitoral, Direito Previdenciário e Direito Financeiro para atuação de advogados e advogadas. São áreas que ganharam muita importância nos últimos anos e demandam conhecimentos específicos”, justifica.

Fonte: OAB Nacional

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