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Mulher Maravilha, eu?

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Estamos no mês da Mulher e, este ano, eu achei necessário escrever sobre uma das perguntas que ao longo da minha vida pública mais tenho recebido: mas Janaina, como você dá conta de tudo isso? Casa, marido, três filhos, uma agenda cheia e ainda ser tão atuante na vida parlamentar? E a resposta é simples: não sou Mulher Maravilha, não. Como qualquer outra mulher que trabalha fora, vivo tentando me equilibrar entre uma coisa e outra, muitas vezes com a consciência pesada por não conseguir fazer tarefa com meus filhos ou dar mais atenção à minha família como gostaria. Por outro lado, quando estou com eles, penso nos munícipios que deixei de visitar, eventos que não consegui participar ou telefonemas que não consegui atender para poder estar com a minha família.

Diante de tudo isso, achei pertinente propor uma reflexão sobre a necessidade de desconstrução da síndrome da Mulher Maravilha que a cada dia nos afeta mais. Que nós assumimos uma variedade enorme de tarefas e nos cobramos a dar conta de tudo, já sabemos. Porém, parece que ainda não percebemos o alto preço emocional e físico que pagamos por carregar conosco essa síndrome da Mulher Maravilha.

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Culturalmente, nós mulheres, crescemos sendo doutrinadas para dar conta de tudo. Isso inclui ser uma excelente profissional e gerar uma boa renda, ser uma ótima mãe, educar os filhos corretamente e ter tempo para eles, ser uma “boa esposa” e manter acesa a chama da relação, cuidar ou administrar a casa, manter um corpo incrível, ter o cabelo e as unhas impecáveis, ter uma vida social ativa, dentre outras funções que a sociedade coloca sobre nossas costas. Porém, sem medo de errar, posso afirmar que não há saúde mental que se sustente com tudo isso.

Sempre associamos a figura da Mulher Maravilha ao empoderamento feminino, mas o lado negativo de tentarmos ser super-heroínas fora dos quadrinhos e dar conta de tudo o tempo todo, é a sobrecarga física e emocional que isso traz. Precisamos ter mais compaixão por nós mesmas, fazer o que é possível e não o impossível, e deixar de lado o perfeccionismo para sermos felizes.

A luta pela equidade de gênero nos sobrecarrega e nos força a essa tentativa sobre-humana de perfeição. É chegada a hora de não nos martirizarmos por não dar conta de tudo o tempo todo ou quando nossos resultados não forem acima da média. Celebrar a vida com as suas imperfeições, já é um ótimo começo pois não nascemos para ser a Mulher Maravilha, mas sim humanas.

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*Janaina Riva é bacharel em Direito, deputada estadual em seu segundo mandato e a parlamentar mais votada ao Legislativo estadual Mato Grosso na última eleição

Fonte: ALMT

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A ARMADILHA DA DESINFORMAÇÃO

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Acompanhei uma calorosa conversa entre o sócio de uma auto peças de máquinas agrícolas e o seu amigo, proprietário de um supermercado, descendo o porrete no agronegócio, numa ensolarada tarde de segunda feira.

No tempo em que fiquei no balcão esperando o vendedor finalizar o orçamento das peças, passei a refletir sobre o posicionamento dos dois empresários, se oriunda da desinformação, da ideologia ou do vício de reclamar da vida por reclamar!!!

O contraditório era latente… os clientes dos dois comerciantes, em sua maioria são produtores rurais, especialmente o de peças de máquinas agrícolas. Por outro lado, o atacadista de alimentos, o seu negócio é compra e venda de produtos da agroindústria.

Olhava para um, depois para o outro, e fiquei pensando… como é possível, dois empresários do agronegócio, desqualificarem as suas atividades, denegrirem a si mesmos e jogarem contra o seu próprio negócio.

Num repente, esquecendo das orientações de não intrometer na conversa dos outros, pedi licença aos dois e perguntei se tinham conhecimento do conceito do agronegócio. No embalo da resposta, burburejaram uma avalanche de adjetivos pejorativos aos produtores rurais, entre eles: criminosos, poluidores, devastadores do meio ambiente… etc etc etc

Enquanto eles falavam freneticamente reforçando as suas convicções desacerbadas, demonizando o setor, rapidamente busquei no google o conceito do agronegócio na Wikipédia (a enciclopédia livre), e, solicitei para um deles ler.

E assim iniciou a leitura: “O agronegócio representa qualquer operação do ciclo da agricultura e da pecuária, o que engloba a produção, os serviços financeiros, de transporte, marketing, seguros, bolsas de mercadoria.”

Percebi que os dois já acenderam o sinal vermelho. Solicitei que continuasse a ler, e assim o fez: “O agronegócio é dividido em três partes. A primeira é representada pela indústria e comércio, como por exemplo, os fabricantes de fertilizantes, defensivos químicos, equipamentos, bancos e financeiras. A segunda parte trata dos negócios agropecuários propriamente ditos, representados pelos produtores rurais, sejam eles pequenos, médios ou grandes, constituídos na forma de pessoas físicas (fazendeiros ou camponeses) ou de pessoas jurídicas. E na terceira parte encontram-se as atividades de compra, transporte, beneficiamento e venda dos produtos agropecuários até o consumidor final. Enquadram-se, nesta definição, os frigoríficos, as indústrias têxteis e calçadistas, empacotadores, supermercados e distribuidores de alimentos.”

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Ao terminar a leitura do conceito da palavra agronegócio (agribusiness), originária no ano de 1955, nos EUA, pelos pesquisadores da Universidade de Harvard, John Davis e Ray Goldberg, os dois empresários demonstraram certa surpresa misturada com desconforto. Sabe aquela reação quando é pego de calça curta. Pois é. Não precisei falar nada.

Poderia ter enumerado todas as conquistas do agronegócio brasileiro, desde dos anos em que o Brasil era dependente da produção de alimentos de outros países até se transformar em líder mundial de produção.

Poderia relatar a importância do agronegócio no crescimento e estabilidade econômica do País, no aumento de produção a cada safra, da responsabilidade socioambiental e sustentabilidade, da brilhante participação dos dois no agronegócio.

Poderia… Enfim, não foi necessário. A ficha caiu.

Essa triste realidade que infelizmente deparamos no dia a dia, foi cientificamente comprovado através da pesquisa realizada no final do ano de 2022, pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), idealizadora do Movimento “Todos a Uma só Voz”, revelando que 33% das pessoas, com idade de 30 a 59 anos, tem uma percepção negativa da atividade do agronegócio, nos temas relevantes como: preservação do meio ambiente, sustentabilidade e combate à fome. Na faixa etária de 15 a 29 anos, fica pior, o índice sobe para 51%.

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A desinformação ou as informações distorcidas de um setor que emprega, produz, alimenta seu povo e ajuda a alimentar o mundo devem ser combatidas. Há uma necessidade urgente de ações pontuais e eficientes, de propagação de matérias e reportagens consistentes, positivas, educativas, demonstrando a importância das atividades de toda a cadeia produtiva do agronegócio.

No ano passado, também foi realizada uma outra pesquisa, essa com os Produtores Rurais, por uma equipe multidisciplinar de 15 especialistas e acadêmicos da ESALQ-USP, Fundação Dom Cabral e ESPM, onde constataram que 71% dos Produtores concordam que o agronegócio precisa divulgar mais sobre a sua atividade, o seu desenvolvimento e o seu futuro, a fim de ser mais valorizado pela população urbana.

Muitas instituições de classe de produtores e associações empresariais já colocaram nos seus planejamentos, investimentos para divulgar a verdadeira face do agronegócio para a sociedade brasileira e estrangeira.

Surge no horizonte o desafio em desconstruir a armadilha da desinformação.

 

Isan Oliveira de Rezende

Produtor Rural, Advogado, Engenheiro Agrônomo, Presidente da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (FEAGRO MT), Presidente do Instituto do Agronegócio, Coordenador da Agricultura Familiar e Agronegócio na Associação de Bancos (ASBAN), membro da Câmara Especializada de Agronomia no CREA/MT e membro da Comissão do Agronegócio na OAB/MT.

Fonte: Isan Rezende

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