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Especialistas defendem importância do afeto e da interação para o envelhecimento saudável

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A valorização e o cuidado com os avós e as pessoas idosas foi o tema da audiência promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (9). A defesa dos participantes foi a de que pessoas idosas – que no Brasil já somam de 32 milhões – precisam de muito mais do que medicamentos para envelhecer bem e com saúde. Elas necessitam sobretudo de interagir e criar laços.

“A gente precisa de ambiente favorável, meio social favorável, cidades favoráveis e isso é uma construção coletiva”, afirmou a coordenadora de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa do Ministério da Saúde, Ligia Gualberto. “Se no mercado que a pessoa idosa frequenta quem ajuda a colocar as coisas na sacola tem esse olhar cuidadoso e de respeito, ela pode ir e vir com segurança e tranquilidade. O olhar cuidadoso de todos é essencial.”

Um dos parlamentares que solicitaram o debate, o deputado Alexandre Lindenmeyer (PT-RS) ressaltou a importância dos idosos na sociedade, comparando-os a árvores frutíferas que crescem e se fortalecem ao longo dos anos. “Nossos avós e idosos são fonte de sabedoria, amor e experiências que enriquecem a vida de todos ao nosso redor”, disse.

Bom envelhecimento
De uma forma geral, os aspectos destacados como fundamentais para o envelhecimento saudável foram os seguintes:

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– saúde física: é crucial que os idosos tenham acesso a serviços de saúde de qualidade;

– saúde mental: a solidão e a depressão são problemas comuns entre os idosos. Lindenmeyer destacou a importância de políticas de prevenção para cuidar da saúde mental;

– atividade física: a prática de exercícios adaptados e seguros traz vitalidade e felicidade ao cotidiano dos idosos;

– qualidade de vida: os idosos devem não apenas sonhar, mas realizar. A inclusão social e o acesso a atividades que promovam alegria e realização pessoal são essenciais;

– segurança financeira: o aumento no número de golpes e jogos de azar que vitimizam principalmente os idosos no Brasil demanda medidas de proteção. Políticas de aposentadoria mais robustas também são desejáveis;

– interação intergeracional: a interação entre gerações deve ser encorajada, reforçando os laços familiares e sociais.

Segundo Ligia Gualberto, a abordagem da saúde, na Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, é ampla e envolve os conceitos de autonomia e independência, o que também se obtém a partir da integração da pessoa idosa no meio social e familiar e do cuidado ao longo de toda a vida. Daí a importância de investimentos em saneamento básico, saúde, educação, esporte e lazer.

Jornada dos avós
A audiência teve como referência a quarta edição da Jornada dos Avós e das Pessoas Idosas, instituída pelo Papa Francisco, neste ano celebrada em 28 de julho. O lema de 2024 foi “Na velhice não me abandones”.

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A observação da secretária-executiva da Pastoral da Pessoa Idosa, Irmã Terezinha Tortelli, foi que as sociedades mais desenvolvidas gastam muito com a terceira idade, mas não ajudam a desenvolvê-la.

“O mundo, com seu ritmo acelerado, nos leva a interiorizar a ideia do descarte. Envelhecer não é uma condenação, mas uma bênção. A velhice é uma estação para continuar a dar frutos”, afirmou a religiosa.

Também o secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva, destacou a importância dos avós na sociedade. “São figuras para a gente saber de onde veio, onde estamos e para onde iremos”, observou. E muitos são avós antes dos 35 anos, assim como outros se tornam avós após os 80 anos.

Vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia em Gerontologia, Fábio Ferreira acrescentou que a conexão entre avós e netos deve ser incentivada. A presença dos netos, afirmou, pode ser uma fonte de luz na vida das pessoas idosas. “Um simples telefonema, um convite para tomar um sorvete pode transformar o dia de uma pessoa idosa.”

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLITÍCA NACIONAL

Paim critica suspensão pelo STF de processos sobre ‘pejotização’

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O senador Paulo Paim (PT-RS) criticou, em pronunciamento no Plenário nesta segunda-feira (5), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu os processos que discutem a legalidade da “pejotização” — prática em que empresas contratam trabalhadores como pessoas jurídicas (PJ) para evitar o vínculo formal com carteira assinada.

— O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) destacou que essa suspensão “fere o princípio constitucional da garantia de acesso ao Poder Judiciário, negando a prestação jurisdicional por tribunais mais habilitados a reconhecer a pejotização ou as terceirizações ilícitas”. Essa tentativa de enfraquecer a Justiça do Trabalho também silencia os trabalhadores e desconsidera as vozes das ruas, daqueles que estão com as mãos calejadas — afirmou.

Segundo o parlamentar, a pejotização fragiliza os direitos trabalhistas porque o modelo de contratação disfarça vínculos formais de emprego, mantendo características como jornada definida, subordinação e salário fixo, mas sem garantir os direitos previstos na CLT, como férias, 13º salário, FGTS e seguro-desemprego.

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— Essa prática é frequentemente utilizada para reduzir encargos trabalhistas e tributários, mas configura fraude quando encobre uma relação de emprego tradicional. Quando essa fraude é efetivamente comprovada, os responsáveis podem ser condenados ao pagamento dos valores devidos e não pagos pertinentes à relação trabalhista — disse.

Paim também citou dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), indicando que a pejotização já atinge cerca de 18 milhões de trabalhadores. De acordo com o parlamentar, desde a reforma trabalhista, esse modelo de contratação causou perdas de aproximadamente R$ 89 bilhões na arrecadação, colocando em risco a manutenção da Previdência Social. Ele anunciou a realização de uma audiência pública na próxima quinta-feira (9), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), para debater o tema com entidades sindicais, representantes do governo, do Judiciário e do Ministério Público.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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